Uso excessivo de anti-inflamatórios preocupa Fifa

Especialista explica que medicamentos podem afetar os rins, o estômago e os intestinos

AE-AP, Agência Estado

18 de março de 2013 | 16h21

BRUXELAS - O abuso na utilização de anti-inflamatórios por parte dos jogadores é um problema mais grave que o doping, segundo o presidente do comitê médico da Fifa, Michel D''Hooghe. O especialista afirmou que os adolescentes estão usando anti-inflamatórios demais para combater qualquer pancada ou estiramento muscular e que esses medicamentos podem afetar seriamente os rins, o estômago e os intestinos. "O mais alarmante é que vemos que se usa cada vez mais nas categorias de base", expressou D''Hooghe.

Ele afirmou que o uso crescente dos anti-inflamatórios entre os jovens ficou claro durante o Mundial Sub-17 de 2011, no México, e que aumentou desde então. Para D''Hooghe o futebol não tem muitos casos de doping e a Fifa deve se concentrar em outros temas. "O doping não é nosso maior problema. Os anti-inflamatórios são", alertou.

A Fifa disse que começou a advertir o abuso de anti-inflamatórios na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, onde as seleções deviam informar de antemão que tipo de medicamento estava sendo usados pelos seus jogadores. "Houve uma equipe em que 21 dos seus 23 jogadores estavam usando", declarou D''Hooghe.

O porcentual geral no Mundial da África do Sul foi de 34,6%, uma elevação se comparado com os 29% registrados quatro anos antes, na Alemanha. A razão do abuso é o excesso de partidas no calendário, o que diminui o tempo de recuperação dos jogadores.

"Os medicamentos combatem a dor, mas isso agrava a situação, porque o a dor é como um alarme que avisa que algo não está certo", disse D''Hooghe. "Chega um momento em que o jogador pensa que não pode jogar sem as pílulas".

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