Usuriaga: polícia fala em queima de arquivo

A violência na Colômbia parece não ter fim e continua atingindo o futebol. A última vítima foi o ex-atacante da seleção do país Albeiro Usuriaga, de 37 anos, assassinado quarta-feira à noite em Cali. Ele levou 13 tiros de calibre 9 mm, disparados por um jovem de 14 ou 15 anos. O criminoso estava com comparsa, de aproximadamente 22 anos, em uma moto. Usuriaga jogava cartas e dominó em um bar próximo à sua casa, no bairro 12 de Outubro. O crime, que chocou o país, seria uma queima de arquivo. Segundo a polícia local Usuriaga, que jogou no Santos em 1996, vinha recebendo ameaças, após testemunhar o assassinato de quatro pessoas dentro de um ônibus público, no domingo. No dia 3, já havia perdido seu melhor amigo, Javier Vera Marulanda, 27 anos, também assassinado. Momentos antes do crime, a irmã de Usuriaga recebeu uma ligação. Seria nova ameaça de morte, mas ela não avisou ao irmão. De acordo com a mãe do ex-atacante, Esther López Moreno, o filho discutira com o provável assassino no início da noite. Depois, parecia nervoso enquanto conversava com os amigos. "Escutei o Albeiro falando alto e chamei sua atenção, perguntando por que estava sendo tão duro?", contou Esther, revelando que o filho lhe pediu calma. "Mataram este senhor, mas fique tranqüila, pois nada vai me acontecer", disse-lhe Usuriaga. Aconteceu. Crimes parecidos são comuns na Colômbia, muitos realizados pelos cartéis do tráfico de drogas. Em 1986, três dirigentes foram assassinados. Em 1989, um juiz foi morto a tiros após apitar a partida entre Independiente de Medellín e América de Cali. Em 1993, Omar "El Toro" Cañas, jovem revelação do Atlético de Medellín também acabou baleado. Após a eliminação da Colômbia no Mundial de 1994, o zagueiro Escobar, considerado o grande culpado pelo fracasso da seleção (foi autor do gol contra que resultou na eliminação da equipe), também foi assassinado. A lista de jogadores assassinados inclui, ainda, o meia Felipe Pérez, envolvido com o cartel de Medellín, e o meia Arley Rodríguez, do Independiente, ambos em 1996. Em 99, a vítima foi o volante Juan Guillermo Villa, do Nacional. Em 2001, Norberto Cadavid e em 2002, Jairo Calanche Zulbarán perderam a vida.

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