Mowa Press
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Vadão dribla dificuldades em seu 1º ano na seleção feminina

Neste domingo, às 18h45, equipe enfrenta os EUA na decisão do Torneio Internacional de Brasília, no Estádio Mané Garrincha

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2014 | 12h18

 O técnico Oswaldo Alvarez passou 24 de seus 58 anos à frente de times masculinos de futebol. Em abril, Vadão aceitou o desafio de comandar mulheres pela primeira vez. Neste domingo, às vésperas de sua segunda decisão com a seleção brasileira - o Torneio Internacional de Brasília, na final contra os EUA, às 18h45 - admite que não esperava encontrar tantas dificuldades. “Eu sabia que seria difícil, mas não tão difícil”, diz, rindo, em tom de brincadeira. “As dificuldades são grandes, mas está sendo muito bom, eu estou gostando.”

O técnico conseguiu alcançar o principal objetivo do ano: venceu a Copa América e classificou a seleção para o Mundial e os Jogos Pan-Americanos, ambos no Canadá em 2015. O problema, que faz Vadão ressaltar a dificuldade de seu novo posto, é não conseguir reunir e treinar as principais jogadoras brasileiras para competições importantes como o torneio continental.

Um primeiro passo para resolver a questão foi dado na quinta-feira, quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que será formada uma seleção permanente com o objetivo de preparar a seleção para o Mundial e a Olimpíada. Falta, agora, Vadão e comissão técnica definirem como essa equipe será formada. A temporada começa com o Torneio de Algarve, disputado em Portugal, em março.


Para jogar a Copa América, em setembro passado, no Equador, Vadão não pôde convocar Marta e outras jogadoras que atuam na Europa. “A competição não é data Fifa. Nosso problema não é competir, é treinar.” Foram apenas 15 dias de preparação, com uma equipe que ele conhecia muito pouco. Mesmo assim, o título veio de forma invicta.

Mas a criação de uma seleção permanente no Brasil também evitará um movimento no mercado que tirava o sono de Vadão. Os EUA também tinham anunciado uma equipe exclusiva para defender o País. E os times da Liga Americana buscavam, no Brasil, as peças de reposição para suas equipes. “Como eu iria trazer essas meninas para treinar?”, questiona. "As jogadoras que atuam no Brasil são obrigadas a se apresentar, mas é preciso ter a sensibilidade de não desfalcar as equipes a toda hora. São muito poucas que investem no feminino, não quero desestimulá-las", ressalta. Para Vadão, o País tem entre 30 e 35 jogadoras de alto nível. "É muito pouco, e a reposição é lenta".

Com a principal jogadora do País, Vadão só pôde contar duas vezes. Marta foi convocada para um amistoso contra a França, no fim de novembro, na primeira vez em que atuou sob o comando do novo treinador. Agora, em Brasília, disputa sua segunda competição.  E é só elogios. “A Marta é uma menina fácil. Ela não é estrela, se enquadra perfeitamente.”

Se falta tempo para um trabalho mais aprofundado, Vadão diz que sobra dedicação às meninas. “Elas treinam muito, têm um interesse enorme para aprender. E, no plano tático, têm uma assimilação muito grande. Nunca ouvi nenhuma delas reclamar de cansaço.” A boa impressão com o jogo das mulheres faz o técnico até apostar em previsões: “Se elas tiverem incentivo, vamos ver uma evolução tática do jogo feminino muito mais rápida que a dos homens. Por causa do interesse e da dedicação.”

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