Vadão: Ponte lembra o Flamengo de 80

Líder do Campeonato Brasileiro, a Ponte Preta monopolizou as atenções após o encerramento da nona rodada. Para o técnico Vadão, é uma posição importante, principalmente pela divulgação da mídia. Aos 48 anos, ele demonstra ter maturidade suficiente para não se iludir com a posição provisória, mas sabe que ela pode alavancar uma campanha positiva na temporada. Famoso por comandar o "Carrossel Caipira" no Mogi Mirim dos anos 90, Vadão teve que se curvar ao estilo ofensivo para escalar a Ponte Preta num esquema pouco usual: o 4-5-1. E funcionou bem, deixando o time com 20 pontos, seis vitórias, com 19 gols a favor e 10 contra. Nessa entrevista, o técnico explicou como conseguiu tirar a Ponte Preta da ameaça do rebaixamento no Campeonato Paulista e colocá-la na liderança do Campeonato Brasileiro, com 74% de aproveitamento. Agência Estado - Qual o segredo do sucesso da Ponte Preta? Vadão - Existe um grande planejamento e muito trabalho. Com o respaldo da diretoria, com salários em dia e condições de trabalho, conseguimos colocar aos jogadores a necessidade de cada um dar um pouco mais de si em prol do time. Hoje nós temos em campo 11 guerreiros, dispostos a tudo para buscar as vitórias e somar pontos. AE - Como conseguiu unir tanto os jogadores? Vadão - Tem coisas que acontecem meio que por acaso. Assumi a Ponte numa situação difícil dentro do Campeonato Paulista e o grupo passou por momentos difíceis, mas jamais jogamos a toalha. E já pudemos começar o Campeonato Brasileiro em outras condições. Saímos do zero ponto, tivemos tempo para trabalhar o grupo fisicamente e deixamos o grupo de jogadores homogêneo. Não temos craques, mas jogadores solidários. O que faltava era tranqüilidade para todos. AE - O esquema tático 4-5-1 foi escolhido por acaso? Vadão - Na verdade sim, porque nós cansamos de tomar gols e testamos várias fórmulas até chegar nesta e que se encaixou perfeitamente dentro do grupo que tínhamos em mãos. Mas não é nenhuma novidade, porque o Flamengo, supercampeão do início dos anos 80, usava este esquema com o Nunes já na frente e todos girando no meio campo: Zico, Lico, Tita, Adílio, enfim, todos se movimentavam bastante. Os laterais, Leandro e Júnior, também desciam. Não queremos nos comparar ao Flamengo, mesmo porque existe uma grande diferença técnica, mas temos um esquema parecido e que funciona. Nosso time sofre poucos gols e marca muitos. AE - O elenco ficará unido até o final? Vadão - Com certeza. Não temo pela falta de união, mas pelos problemas naturais que vão acontecer, como contusões e suspensões. Só espero não perder mais nenhum jogador, porque antes mesmo de dez rodadas já ficamos sem dois titulares: o Roger, que foi para o São Paulo, e o Harison, que se transferiu para Portugal (União Leiria). AE - Você já tem os substitutos destes titulares? Vadão - No ataque, o Kahê estava bem integrado ao elenco e já marcou seis gols, inclusive superando o Roger, que tinha cinco aqui na Ponte. Além disso, a diretoria trouxe dois novos atacantes: o Frontini, do Marília, e o Evando, que estava no Santos. O Harison acaba de sair e, por enquanto, o Evando, que enfrentou o Juventude, vai continuar. É uma alternativa. AE - A Ponte será fogo de palha ou cavalo paraguaio? Vadão - Não acredito. As vitórias iniciais nos deram muita confiança e poderemos, se mantermos o ritmo, chegar no final do campeonato brigando pelas primeiras posições. Numa competição de regularidade, talvez possamos mesmo surpreender. AE - Qual seu grande desafio daqui para frente? Vadão - Manter o ritmo de motivação, capaz de deixar o grupo em condições de brigar por pontos em todos os jogos. O desafio é manter este espírito guerreiro, porque já temos uma estratégia de jogo. Não podemos esquecer o que passamos no Paulistão e também o que realizamos no Brasileiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.