Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Vadão vê brasileiras com ‘débito interno’ por não terem Mundial e ouro olímpico

“Não temos o incentivo e a estrutura do futebol feminino que há em outros países", disse o técnico

Rafael Franco, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2018 | 07h30

A seleção brasileira feminina tentará usar a Copa América que começa nesta quarta-feira, no Chile, como trampolim para o Mundial de 2019, na França, e os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. E o fracasso do Brasil em outras edições destas competições, nas quais não conquistado um sonhado título inédito entre as mulheres, é visto pelo técnico Vadão como um “débito interno” que as jogadoras esperam “pagar” aos torcedores.

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Há dois anos, a seleção viu a vaga na final do futebol feminino dos Jogos Olímpicos do Rio ser perdida na disputa por pênaltis contra a Suécia, após empate por 0 a 0 no tempo normal. O resultado abalou muito a equipe nacional, que depois ainda foi derrotada na luta pelo bronze.

E Vadão nega que precise criar motivações extras para o Brasil brilhar nesta Copa América e ganhar confiança para buscar dois sonhados feitos inéditos nos dois próximos anos. “Não temos o incentivo e a estrutura do futebol feminino que há em outros países, mas as meninas têm a motivação de ganhar porque não ganhamos um Mundial e uma Olimpíada. Tem esse ‘débito interno’ dentro delas, pois ficou essa lacuna na carreira delas, e essa motivação está dentro delas, que querem ganhar estas competições”, ressaltou o comandante ao Estado.

Liderado pela estrela Marta, cinco vezes eleita a melhor do mundo pela Fifa, e com a atacante Cristiane como outra grande referência ofensiva, o time nacional ainda contará com o retorno da veterana meio-campista Formiga, de 40 anos, que atualmente defende o Paris Saint-Germain e anteriormente havia anunciado a sua aposentadoria da seleção, mas foi convencida por Vadão a vestir novamente a camisa amarela.

Vadão, porém, alertou que o Brasil não pode se iludir com o seu favoritismo. Existe um favoritismo em cima do Brasil que a gente encara como normal, até pelos resultados que já tivemos em Copas Américas anteriores, mas isso tem que ser esquecido. Uma coisa é ser favorito e outra coisa é achar que já ganhou. No masculino, todo mundo achou que o Chile já tinha vaga garantida na Copa (de 2018), assim como Itália, Holanda e Estados Unidos, mas isso não aconteceu”, disse o treinador.

 “As vagas em jogo são muito poucas e temos de tomar todas as providências para não criar este clima de favoritismo, pois quando a bola rola dentro de campo as coisas mudam. Quem ganha o jogo não é o melhor, mas quem joga melhor”, completou Vadão, que também concorda que a seleção ainda precisa evoluir muito para voltar a ser uma das principais forças do futebol – hoje ocupa o oitavo lugar no ranking da Fifa, liderado pelos Estados Unidos.

“O Brasil era primeiro, segundo ou terceiro do ranking mundial, lá atrás, mas, com toda a evolução do futebol feminino em outros países, isso mudou. Os outros países evoluíram muito porque nestes países existe plano de governo, plano nas escolas, e o desenvolvimento do futebol feminino é levado muito a sério. E no Brasil não tem isso. Assim, a nossa chance foi sendo diminuída ao longo do tempo. Temos o talento, mas o talento precisa ser desenvolvido e incentivado. Um país que dá todos os incentivos e condições obviamente vai formar um maior número de jogadoras e atletas mais competitivas”, disse.

Depois de pegar a Argentina na quinta-feira, o Brasil terá pela frente o Equador no sábado, a Venezuela no próximo dia 11 e depois fechará sua campanha na primeira fase da Copa América contra a Bolívia, no dia 13.

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