Vagner Love não pensa em voltar ao País

Ao contrário do que muitos pensam, Vagner Love está adaptado à Rússia e, apesar da saudade, não pensa em voltar a atuar no Brasil tão cedo. Principal jogador do CSKA, o ex-atacante do Palmeiras está há cinco meses na Europa e pode levar a equipe pela primeira vez à segunda fase da Liga dos Campeões. Por telefone, Vagner Love conversou na semana passada com a Agência Estado sobre seus planos. "Quero ser um dos melhores do mundo", projeta.AE - Já está adaptado na Rússia ?Vagner Love - Estou muito bem, tranqüilo. Fui bem recebido por jogadores, torcedores, comissão técnica, todos me respeitam. Daqui a dois ou três anos, muitos brasileiros vão querer jogar na Rússia, o futebol daqui vai evoluir muito.AE - Qual a maior dificuldade?Vagner Love - O mais difícil é que chegou o frio, não estava acostumado. Quando cheguei, estava uma temperatura boa, como a do Brasil. Mas há duas semanas o frio veio prá valer. Chega a fazer 10 graus negativos. Mas treino normalmente, mesmo com neve.AE - Nem a neve te atrapalha ?Vagner Love - Ao contrário, estou gostando. É a primeira vez que vejo neve de perto. É muito bonito. AE - Como avalia sua participação no CSKA?Vagner Love - O início foi complicado, por causa do idioma. Até para pedir a bola é difícil. Mas estou me dando bem. Já marquei 13 gols em 20 jogos. Aos poucos, conquistei a torcida, já estou mais entrosado.AE - Já aprendeu a falar alguma coisa em russo?Vagner Love - O que eu mais falo é "não entendo nada" e "não sei falar russo". Decorei algumas frases, como "bom dia", e por sorte, tenho um tradutor que me acompanha o tempo todo. Até as letras são diferentes do português. Mas o que eu quero saber, pergunto.AE - Qual seu melhor momento ?Vagner Love - Foi na vitória por 2 a 1 sobre o Glasgow, na fase classificatória para a Liga dos Campeões. Entrei no segundo tempo e fiz um gol. Foi maravilhoso. É a primeira vez que o CSKA disputa essa competição.AE - Os torcedores russos são diferentes dos brasileiros?Vagner Love - Aqui é muito difícil a torcida vaiar um jogador. Se o time está bem, batem palma. Se está mal, incentivam do mesmo jeito.AE - Então não sente falta das críticas da torcida do Palmeiras?Vagner Love - Joguei em estádios cheios, quando enfrentamos o Porto, em Portugal, e o Glasgow, na Escócia. Fomos vaiados, mas nada é igual ao Palestra Itália lotado. Sou torcedor do Palmeiras, não esqueço o clube de jeito nenhum.AE - O Parreira disse que você tem futebol para ser um novo Romário. O que acha disso?Vagner Love - O Romário, o Ronaldo e o Ronaldinho Gaúcho são mais experientes. Quero continuar trabalhando para me tornar um dos melhores do mundo. E jogar na Europa é o primeiro passo.AE - O que faz para se divertir?Vagner Love - Gosto de ir a uma churrascaria, a Hill Will, tem música brasileira e um grupo, que toca samba e axé. Mas aqui em Moscou procuro mais trabalhar do que me divertir.AE - Parece não sentir saudades do Brasil...Vagner Love - Isso não tem jeito. A gente se adapta do jeito que pode, mas a saudade é muito grande. Ainda bem que nas próximas semanas, devo voltar para o Brasil, para as férias.

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