Vágner Love rebate declarações de Putin sobre estrangeiros

Presidente da Rússia disse em tom racista que times do campeonato nacional parecem ser 'africanos'

03 de outubro de 2007 | 20h32

O atacante Vágner Love, do CSKA russo e presença constante na seleção brasileira desde que Dunga assumiu o cargo de treinador, está irritado com ninguém menos do que o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Motivo: o escorregão dado por Putin terça-feira, quando atacou a descaracterização dos clubes de futebol do país. "Olhando para nossos times, não há como saber imediatamente quais deles são nossos ou um time da África", disse o presidente. Nesta quarta-feira, o atacante retrucou. E foi direto. "Quem tem de decidir se os jogadores estrangeiros devem ou não jogar aqui são os clubes, não ele’’, criticou o jogador. Veja também: Dudu Cearense também critica declarações de Putin Putin fez a grosseira declaração durante reunião do Conselho Esportivo Russo, quando revelava sua preocupação com o enfraquecimento do futebol local. "O resultado (da presença de estrangeiros) é bem conhecido: não temos ninguém para jogar nas nossas seleções nacionais. Em vez de preparar nossos jovens, alimentando nossos centros de treinamento, eles (clubes) gastam milhões de dólares contratando estrangeiros." Vágner Love classificou, em entrevista ao site Globoesporte.com, as declarações do presidente como estranhas. E prosseguiu: "Quem define os critérios de contratação são os clubes", disse o atacante do CSKA, que na terça marcou um dos gols do empate da sua equipe com o Fenerbahce (2 a 2), pela Copa dos Campeões. O jogador diz não temer uma retração dos times russos na contratação de atletas estrangeiros por causa das declarações de Putin. "Se isso acontecer, será uma pena. E a solução será buscar espaço em outro lugar", disse Vágner Love, que em suas entrevistas sempre ressaltou nunca ter sido vítima de preconceito na Rússia. Precedentes Não é a primeira vez que Putin interfere em assuntos relacionados ao futebol. Em março, o presidente acionou o primeiro-ministro, Dmitry Medvedev, para impedir que o Campeonato Russo deixasse de ser mostrado por TV aberta depois que a emissora de TV paga NTV-Plus adquiriu os direitos de transmissão da competição. O presidente também atuou como mediador do time checheno Terek Grozny, em 2005. Em carta, os dirigentes do clube reclamavam de perseguição dos árbitros que apitavam jogos da equipe no Campeonato Russo (que o Terek então disputava) e pediram a Putin que tomasse providências. Na antiga União Soviética era comum que políticos interferissem para evitar o rebaixamento de clubes ou o resultado de campeonatos.

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