Vanderlei Almeida/AFP
Vanderlei Almeida/AFP

Valcke fez a Fifa pagar US$ 150 mil para alugar apartamento de Ronaldo, diz jornal

Fifa havia alertado que reserva de hotel sairia mais barata

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2016 | 23h18

O ex-secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, obrigou a entidade a pagar cerca de US$ 150 mil para alugar um apartamento de luxo do ex-craque Ronaldo no Rio de Janeiro para que, em 2013, pudesse se hospedar no Rio de Janeiro para preparar a Copa do Mundo de 2014. 

Os dados foram publicados na edição de sexta-feira de um dos principais jornais suíços, o Tages Anzeiger. Valcke foi suspenso de seu cargo, depois que a reportagem do Estado revelou como ele manobrou a venda de entradas para a Copa de 2014. Se condenado, pode pegar uma suspensão do futebol de nove anos. 

Segundo o jornal suíço, porém, a Fifa alertou que alugar uma suíte de hotel sairia mais barato que alugar o apartamento de Ronaldo, que na época fazia parte do Comitê Organizador Local, presidido por José Maria Marin. "Mas Valcke insistiu no apartamento. A Fifa pagou", escreveu o diário suíço. 

A reportagem também conta como Valcke usou o jato privado da Fifa para viagens pessoais, levando inclusive seu filhos. Em 2012, o francês embarcou até Nova Delhi para uma reunião com a federação local. Mas aproveitou para dar um pulo também no Taj Mahal. Naquele momento, a Fifa não tinha regras sobre como os dois jatos da entidade deveriam ser usados. Agora, uma das prioridades da reforma de Domenico Scala foi a de estabelecer diversas regras, inclusive para o uso dos jatos. 

Filho - Segundo o jornal, Valcke também ajudou seu filho, Sébastien a fechar acordos com a Fifa. Um deles se referia à empresa EON Reality, dos EUA. A companhia é especializada em hologramas e a ideia da Fifa era de trazer a tecnologia para o futebol. O contrato ficaria em US$ 700 mil. 

Mas a EON, segundo o jornal, contratou justamente o filho de Valcke. Para completar, ele ficaria com 7% (cerca de US$ 50 mil) como comissão por ter aproximado a empresa da Fifa, dirigida por seu pai. 

Durante a Copa do Mundo de 2014, a Fan Fest no Rio de Janeiro trouxe um stand justamente com um holograma da taça.

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