Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Valcke: 'Não se fará uma revolução no Brasil entre hoje e a Copa'

Secretário-geral da Fifa diz que não haverá tempo hábil para se investir em infraestrutura até 2014

JAMIL CHADE E LEONARDO MAIA - Enviados Especiais, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2013 | 07h29

RIO - Não haverá tempo hábil para, em um ano até a

ESTADO - Mas qual o grau de confiança que vocês têm de que os prazos serão mantidos, já que nenhum deles foi respeitado até agora?

VALCKE - Esse torneio foi um bom ensinamento. Agora todos entendem porque pedimos que os prazos sejam cumpridos. Posso dizer que esta é a melhor Copa das Confederações que eu já vi. Isso em termos de nível esportivo, da paixão das pessoas e do apoio dos torcedores. As pessoas entenderam que a Fifa não pode receber um estádio em abril. Tivemos problemas, foram pequenos, mas tivemos problemas. Numa Copa das Confederações isso não é um obstáculo grande. Mas na Copa do Mundo pode ser um problema bem maior.

ESTADO - O que precisa mudar até 2014? A venda dos ingressos é uma das questões. Mas e transporte, hotéis, etc?

VALCKE - Não se fará uma revolução no País entre agora e a Copa do Mundo. Parece que teremos que garantir uma melhor forma de conectar as 12 cidades para a Copa do Mundo, alguma forma mais fácil de voar entre as cidades. Tivemos a mesma situação na África. Quando queríamos ir da África do Sul para o Gabão, tínhamos que ir via Dubai ou Paris. Tentamos na África do Sul ter mais voos entre as cidades, e dar mais flexibilidade aos torcedores. No Brasil teremos que trabalhar com o governo para garantir que quem quiser voar entre as cidades-sede possa fazer sem problema. E que possa voar entre todas as cidades e o Rio. Talvez tenhamos de adicionar umas aeronaves.

ESTADO - Aparentemente, a Copa começou a funcionar com a saída do Ricardo Teixeira da CBF.

VALCKE - Não há uma receita única. Cada país é diferente. Na África do Sul tínhamos um comitê com uns oito ministros. No Brasil, no início, havia o sentimento de que não se necessitaria de dinheiro público e que, portanto, não se precisava ter um representante do poder público no COL. Mas não podemos organizar uma Copa do Mundo sem o governo. Não funciona. Se não reconhecermos isso, temos um problema sério. Leva um tempo para aprender a trabalhar junto. Aprendemos. Houve também mudanças em Brasília. Ministros saíram e quando finalmente tivemos uma equipe estável, realmente a coisa ficou mais fácil.

ESTADO - O senhor se tornou um nome conhecido no Brasil depois de uma frase famosa. O senhor se arrepende de ter dito aquilo (“o Brasil precisa levar um chute no traseiro”)?

VALCKE - Não vou responder essa pergunta diretamente. Eu disse o que eu disse e pedi desculpas. O passado é o passado. Agora temos que trabalhar para garantir que tudo funcione. Seja lá o que tenha sido dito, o resultado é que a Copa das Confederações é um sucesso. Há um momento em que podemos esquecer as coisas, não que elas tenham que ser perdoadas.

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