Silvia Izquierdo/AP
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Valcke promete grande Copa e elogia: 'O Brasil é um país incrível'

Secretário-geral da Fifa volta atrás após críticas e admite que nem tudo está pronto

O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2014 | 10h38

SÃO PAULO - A um mês do início da Copa do Mundo, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, afirmou que os torcedores podem esperar um grande torneio. Em entrevista ao site da entidade, o dirigente ressalta a grande quantidade de ingressos vendidos, admite que ainda é preciso terminar o entorno dos estádios para a disputa da competição e dá alertas sobre a segurança no País.

No próximo dia 21 de maio começa o período de uso exclusivo dos estádios para a Fifa. Nesse tempo, segundo Valcke, os locais receberão os retoques finais para receber os jogos. "Ainda temos trabalho a fazer fora do estádio e nas redondezas. É importante trabalhar com as cidades e os Estados, porque são eles os responsáveis por essas áreas", explicou.

O francês, que se notabilizou pelas críticas e cobranças ao Brasil, destacou que a demanda por ingressos foi a maior da história, ressaltou o interesse do mundo pelo torneio, além de dar dicas para os estrangeiros que virão ao Brasil. "Meu conselho é que os torcedores preparem sua viagem, que evitem tomar decisões de última hora. As seleções estarão por todo o país e existe uma grande diferença entre o Brasil e a África do Sul: o país é grande. Organize sua viagem e se certifique de que você já decidiu aonde irá", afirmou.

"Eles podem esperar um grande torneio. É nisso que estamos trabalhando. E eles podem esperar encontrar o Brasil, um país incrível".

Questionado sobre a segurança, o secretário-geral disse que classifica como "boa", mas também deixou um alerta: "a segurança é um problema em todas as partes do mundo. Também depende da maneira como você se comporta. Curta o Brasil do jeito que o Brasil é. Se, em alguma cidade, disserem que você não deve andar por certos lugares, é o que você deveria fazer".

LEIA A ENTREVISTA À FIFA

Fifa: Falta um mês para a Copa do Mundo. Qual é a situação?

Jérôme Valcke: Estamos a poucos dias do prazo de entrega dos estádios à FIFA. Entraremos no período de uso exclusivo dos estádios a partir do próximo dia 21 de maio para o primeiro deles, o de São Paulo. Ainda temos trabalho a fazer fora do estádio e nas redondezas. É importante trabalhar com as cidades e os Estados, porque são eles os responsáveis por essas áreas. Faremos nossa lição de casa, instalando todos os sistemas nos estádios. Isso também é uma parte importante da estrutura de uma Copa do Mundo. Quando você sente que a competição está chegando, vem o entusiasmo. Enquanto isso, é importante testar tudo para ter certeza de que funciona. Teremos jogos muito importantes no Brasil. Primeiro, o jogo de abertura entre Brasil e Croácia. No dia seguinte, Espanha x Holanda, que foi a final de 2010, e no outro dia Inglaterra x Itália, com seleções de alto nível. Teremos jogos em que 100% do estádio será usado, com um alto nível de hospitalidade e interesse midiático, e, portanto, não podemos falhar nesses cinco primeiros dias. Existe a pressão para garantir que tudo esteja perfeitamente pronto.

Fifa: A venda de ingressos foi um grande sucesso. Ainda existem ingressos disponíveis para os torcedores que quiserem assistir a um jogo?

Valcke: Para os torcedores, ainda existem uns poucos, porque há a última fase de vendas. Sempre dá para tentar encontrar um ingresso, mas é bem limitado, a demanda é incrível. Não acho que já tenhamos tido tantas solicitações de ingressos. Para a partida de abertura em São Paulo, os responsáveis pela hospitalidade estão anunciando 14 mil convidados. O grau de interesse do mundo e do Brasil é enorme. O Brasil adora a Copa do Mundo. A maioria dos ingressos foi vendida a brasileiros, porque eles adoram futebol.

Fifa: Torcedores de todo o mundo estão se preparando para viajar para o Brasil nas próximas semanas. O que pode dizer a eles? O que eles podem esperar durante o torneio?

Valcke: Eles podem esperar um grande torneio. É nisso que estamos trabalhando. E eles podem esperar encontrar o Brasil, um país incrível. Um país que tem música, samba e uma série de coisas que o tornam único no mundo. Meu conselho é que os torcedores preparem sua viagem, que evitem tomar decisões de última hora. As seleções estarão por todo o país e existe uma grande diferença entre o Brasil e a África do Sul: o país é grande. Organize sua viagem e se certifique de que você já decidiu aonde irá.

Fifa: A segurança é uma grande preocupação para os visitantes que vão ao Brasil. O que pode dizer aos torcedores que estão preocupados?

Valcke: A segurança é um problema em todas as partes do mundo. Também depende da maneira como você se comporta. Curta o Brasil do jeito que o Brasil é. Se, em alguma cidade, disserem que você não deve andar por certos lugares, é o que você deveria fazer. Existem áreas e partes da cidade às quais você não irá. Não é só no Brasil, em todo o mundo é assim.

Fifa: O que a FIFA, em cooperação com o governo, está fazendo para garantir a segurança nos estádios?

Valcke: A segurança dentro e nos arredores do estádio não é um problema. Está tudo organizado neste sentido, e o mesmo vale para as Fan Fests. É a hora de se divertir. A segurança em geral é boa, o Brasil organiza com frequência grandes eventos como o Carnaval e diversos eventos internacionais. Se você visita um país, deve sempre respeitá-lo.

Fifa: Mudando para um assunto para esportivo, as seleções vêm anunciando seus convocados recentemente. A qual seleção você não vê a hora de assistir?

Valcke: Como secretário-geral da FIFA, nenhuma. Viajarei por todo o país e irei a cada estádio com uma perspectiva principalmente técnica, e não para torcer por nenhuma equipe. Acho que será uma Copa do Mundo muito aberta. Existem seleções muito boas e vai ser muito difícil prever quem jogará a final. É claro que se espera que o Brasil jogue a final e até mesmo ganhe a Copa do Mundo de 2014. Mas também tem várias outras boas equipes: Alemanha, Argentina, Portugal... E também a França, que sempre pode jogar bem. Espero que ela vá melhor do que na África do Sul. Os sul-americanos são fortes, assim como os europeus. Todos são fortes.

Fifa: Algumas pessoas no Brasil dizem que a Copa do Mundo está custando demais para o país. O que pode responder a elas em relação ao legado do torneio?

Valcke: Não se pode falar no legado durante a Copa do Mundo ou logo depois dela. São precisos alguns anos para ver qual é o legado, e existem tipos diferentes. O primeiro deles é a infraestrutura para o futebol. O país terá estádios e campos de treino de um nível fantástico. Terá instalações melhores que as de antes para praticar o futebol. Os estádios que foram usados na Copa das Confederações podiam receber mais torcedores porque a estrutura é melhor e havia um nível mais alto de futebol.

A seguir, vêm as cidades. Essas cidades terão mudado desde que receberam o direito de organizar a Copa do Mundo ao momento em que os jogos forem disputados. Haverá outro nível de mobilidade urbana, hospedagem e malha viária. Na África do Sul, as vidas dos moradores de algumas cidades mudaram porque elas investiram muito dinheiro para mudar suas estruturas.

Quando dizem que temos que dar alguma para a Copa do Mundo que possa ser usado para outros projetos, isso está errado. Quando um país se candidata a sediar uma Copa do Mundo, isso não vai contra seu próprio interesse. É pelo interesse do país. A Copa do Mundo é uma maneira de acelerar uma série de investimentos em um país. É fácil criticar a FIFA, é fácil usar a Copa das Confederações ou a Copa do Mundo para organizar manifestações. Mas se o alvo é a FIFA porque ela é a causa do que está acontecendo no país, ele está errado. Se um país se candidata à Copa do Mundo, é com a ideia de se desenvolver; a ideia não é destruí-lo.

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