Valcke recua e nega ter acusado Catar de corrupção

Horas depois de sugerir que o Catar teria "comprado" membros da Fifa para ficar com a Copa do Mundo de 2022, o secretário-geral da Fifa Jerome Valcke recuou nesta segunda-feira e disse que não insinuou qualquer atitude antiética por parte da candidatura catariana.

AE, Agência Estado

30 de maio de 2011 | 13h53

Inicialmente, Valcke havia confirmado informações divulgadas em um e-mail no qual sugeria a compra de votos pelo Catar, através do catariano Mohamed Bin Hammam, ex-candidato à presidência da Fifa. "Ele pensou que pode comprar a Fifa como eles compraram a WC [Copa do Mundo]", afirmara Valcke. O e-mail fora divulgado pelo vice-presidente da Fifa Jack Warner, que foi suspenso no domingo, acusado de suborno.

O secretário, porém, voltou atrás e disse que foi mal interpretado. Em sua defesa, ele afirmou que usou o verbo "comprar" para se referir ao alto investimento feito pela candidatura para fazer lobby em nome do Catar.

"Gostaria de esclarecer que usei no e-mail uma linguagem mais informal, que não costumo usar nas correspondências. Quando me referi à Copa do Mundo de 2022, o que quis dizer foi que a candidatura vencedora usou o seu potencial financeiro para angariar apoio e fazer lobby", explicou Valcke.

"Eles tinham um orçamento muito grande e se utilizaram disso para promover a candidatura do Catar por todo o mundo de uma maneira muito eficiente", afirmou o secretário, ao insistir que não fez "nenhuma referência à compra de votos ou qualquer comportamento antiético semelhante".

Logo após as novas declarações de Valcke, a candidatura do Catar reiterou que venceu a disputa pelo Mundial de forma lícita. "Catar 2022 nega categoricamente qualquer ação irregular em sua candidatura vitoriosa. Estamos buscando urgentemente um esclarecimento da Fifa sobre as declarações do secretário-geral. Também estamos buscando conselhos legais para avaliar as nossas opções [de resposta às insinuações de Valcke]", registrou a entidade do Catar responsável pela organização da Copa de 2022.

Ainda nesta segunda, Valcke garantiu que a Fifa não abriu nenhum procedimento para investigar as eleições que escolheram as próximas sedes da Copa do Mundo, de 2018 e 2022. Os pleitos, realizados em dezembro de 2010, se tornaram alvos de suspeitas depois que um jornal britânico publicou denúncias de compras de voto antes das eleições.

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