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Valcke sobre corrupção: 'Não somos responsáveis pelo país'

Ele admitiu erros na fase final da preparação e que Fifa vai ter de mudar para outras Copas

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2014 | 09h48

GENEBRA - "Não somos responsáveis pelo que ocorre num país". Foi assim que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, respondeu em uma entrevista à BBC quando foi questionado sobre o fato de que o preço elevado dos estádios brasileiros e os orçamentos estourados poderiam levantar suspeitas de corrupção.

Valcke deixou claro que, no que se refere ao dinheiro usado pela Fifa e dado aos organizadores, ele garantia que não houve corrupção. "Somos bem claros que nenhum dinheiro pago pela Fifa pode ser ligado a qualquer caso de corrupção", alertou.

Mas preferiu tomar distância ao ser questionado sobre orçamentos que estouraram na construção de algumas arenas.  "Não somos responsáveis pelo que ocorre num país", declarou. "Claro que somos contra a corrupção e claro que temos hoje na Fifa, depois de tudo o que ocorreu nos últimos dois anos, novos comitês independentes para garantir que a forma como a Fifa é administrada e gerida esteja de acordo com os padrões internacionais. Mas, de novo, não somos responsáveis pelos países. Somos responsáveis pela ajuda e apoio financeiro que trazemos a um país e, neste ponto, posso ser vem claro e dizer que não há corrupção", declarou.

Nesta semana, a neta de João Havelange, Joana Havelange, causou uma crise interna na organização do Mundial depois que publicou em uma rede social que "o que era para ter sido roubado, já foi".

ERRO

Faltando duas semanas para o início da Copa do Mundo, Valcke, reconhece que errou na fase final da preparação do Mundial no Brasil e que, para os futuros eventos, terá de modificar a forma de lidar com as obras.

O principal problema, segundo ele, foi a questão das estruturas temporárias dos estádios, principalmente nos estádios privados. Valcke reconheceu que, para os próximos Mundiais, o debate de quem paga por cada instalação deverá ser esclarecida antes. Isso, segundo ele, evitaria uma "discussão interminável".

No total, governos estaduais, prefeituras e donos dos estádios no Brasil tiveram de pagar cerca de R$ 400 milhões para as estruturas temporárias dos estádios, uma exigência da Fifa e que somente seria usada durante a Copa.

"O maior erro que enfrentamos nos últimos meses no Brasil foi sobre os estádios privados a questão das instalações privadas e quem é responsável pelo financiamento disso", afirmou, indicando os casos de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.

"Acho que temos de esclarecer os níveis de instalação e quem é responsável pelo o que para garantir que não entremos de novo num discussão interminável sobre porque eu tenho de pagar por algo que não vou usar no futuro", reconheceu.

CHUTE

Valcke ainda admitiu que foi duro demais em algumas frases que usou sobre o Brasil durante os últimos sete anos e que os problemas não são entre a Fifa e o Brasil. "Em uma ou duas ocasiões acho que as palavras usadas por mim foram muito fortes. É uma parceria entre um país e a organização. Mas, em uma relação em que há tantas partes envolvidas, é comum haver alguma tensão às vezes", disse.

O francês admitiu que esteve muito próximo de excluir Curitiba da Copa. "Chegamos bem perto de dizer: pessoal, vocês não vão conseguir, nunca vai funcionar, vocês devem ficar de fora", contou.  Mas reconhece que, no Brasil, o que aprendeu é que não deve fazer isso e que, mesmo que seja no último minuto, tudo será entregue.

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