Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Valdivia mostra raça e diz que quer renovar com o Palmeiras

Pela última rodada do Brasileirão, diante do Atlético-PR, chileno joga no sacrifício e é o melhor do time que, por pouco, escapou da degola

Ciro Campos e Daniel Batista, O Estado S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 07h00

Valdivia se habituou a ser amado e criticado no Palmeiras. Os que o atacam usam como principal argumento o fato de ele se machucar com frequência e desfalcar o time em partidas importantes. Mas ontem ele mereceu sair reverenciado. O chileno jogou no sacrifício, ficou os 90 minutos em campo, lutou o tempo todo e foi o melhor do time. E quando o jogo acabou não segurou o choro. 

"Estou emocionado porque sofri muito este ano. A última semana foi muito difícil, porque até quarta ou quinta-feira eu estava bem, e na sexta comecei a sentir dores. E eu sabia que não podia faltar nesse jogo, era um jogo importante, meu filho me pediu para jogar. E agora estou aqui." 

O chileno mostra também ser muito agradecido ao clube pelo apoio que recebeu. "Foi obrigação deixar o Palmeiras na Série A. Sempre terei uma dívida com o Palmeiras. Aqui é o único clube do Brasil onde posso jogar. Mesmo com tudo o que aconteceu comigo aqui, a torcida continua me apoiando. Só tenho a agradecer por tudo que fizeram e aos que torcem por mim. Sempre fui sincero aqui e sempre falei a verdade, embora muita gente não acredite em mim."

A decisão de atuar no jogo de ontem, segundo o Mago, foi uma forma de dar uma satisfação para os companheiros, já que ele não conseguiu atuar em jogos importantes. "Era meu jogo de Copa do Mundo. Foi um ano complicado e terminou de uma forma muito difícil. Muito se falou que nos momentos decisivos eu nunca joguei. Isso me deu força, não para calar a boca de ninguém, mas para mostrar aos meus companheiros que eles podiam confiar em mim."

A vontade em ajudar o Palmeiras ontem fez com que Valdivia corresse riscos. Ele não tem boas condições físicas, mas mesmo assim ficou em campo até o fim . “Temos que agradecer muito pela dedicação dele no final de campeonato. Poucos jogadores jogariam como ele jogou. Ele estava pior do que estava contra o Coritiba”, contou o médico Rubens Sampaio. Naquele jogo, Valdivia saiu no intervalo.

Dorival Júnior também parabenizou o chileno, e elogiou publicamente a sua postura. "Queria agradecer ao Valdivia pela postura profissional e por ter sido tão responsável. Antes de eu vir para o Palmeiras tinha uma imagem do Valdivia, mas mudou quando cheguei ao clube".

Com a bola rolando, Valdivia deu seus toques diferenciados e tentou ajudou os companheiros a manter a cabeça no lugar, principalmente os garotos. Ao final da partida, Gabriel Dias e Victor Luis apareceram chorando e sendo consolados pelo chileno. "Essa garotada soube se colocar na família de cada jogador, de cada torcedor que veio aqui. Eles se seguraram muito bem."

Contrato A importância do futebol do meia para o time fez com que o presidente Paulo Nobre mudasse de opinião sobre o jogador. Valdivia era considerado um atleta com custo-benefício muito ruim, já que sua contratação foi bem cara e ele tem o maior o salário do elenco. Por isso, o dirigente tentou negociar Valdivia e lhe deu carta branca para deixar o clube no meio do ano, quando o meia foi vendido para o Al Fujairah, dos Emirados Árabes. Mas a negociação fracassou. 

O fato é que o retorno, que poderia ser considerado um fracasso para a diretoria palmeirense, acabou sendo uma salvação. Por isso, é grande a chance de Valdivia renovar. 

"Meu contrato vai até agosto. Antes de eu viajar para o Chile, tenho uma reunião com o presidente, mas já disse a ele qual é a minha vontade. A decisão está tomada. Quero ficar e o importante é que a vontade dos dois lados é a mesma."

Ele admitiu ter sido procurado pelo Colo Colo, clube onde iniciou a carreira e para o qual torce no Chile. Mas tudo caminha para a renovação do Mago antes de o elenco voltar das férias.

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