Valdivia quer ir à Libertadores por 'questão de honra'

Jogador acredita que classificação para o torneio seria a melhor resposta para os dirigentes da seleção chilena

Juliano Costa, do Estadão,

08 de outubro de 2007 | 09h30

A classificação do Palmeiras para a Libertadores é questão de honra para Valdivia. Ele entende que essa seria a melhor resposta para os dirigentes que o suspenderam da Seleção do Chile por indisciplina durante a Copa América, em julho, na Venezuela. "A Libertadores tem muita repercussão no Chile", diz. Valdivia não esconde o rancor pela polêmica suspensão imposta pela Federação Chilena. Ele e mais quatro jogadores teriam se envolvido em uma farra no hotel da seleção de Nelson Acosta em Puerto La Cruz. Todos foram punidos. O palmeirense recebeu uma punição de 20 jogos - ou seja, pode não participar de nenhuma das 18 rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2010, caso a Federação não suspenda a pena. Para a torcida palmeirense, trata-se de uma ótima notícia. As convocações do Mago vinham sendo um tormento. Durante as ausências dele, o Palmeiras perdeu fôlego no Paulistão (a ponto de ser eliminado na primeira fase) e passou por uma seqüência de cinco jogos sem vitória no Brasileirão. Já com Valdivia em campo, o time perdeu só duas vezes no torneio nacional. Sábado, na vitória contra o Grêmio, no Palestra Itália, por 2 a 1, Valdivia centralizou as jogadas de ataque, puxando contra-ataques e distribuindo a bola para chegar rápido na frente. Por isso, sofreu várias faltas e levou até mesmo um soco nas costas do gremista Gavilan. Tratado como celebridade no Chile - é casado com a modelo Daniela Aránguiz, uma das mais admiradas do país -, Valdivia aparece com destaque no noticiário chileno apesar de jogar no Brasil há um ano e meio. "O que faço aqui tem muita repercussão no Chile", admite ele. Mas a punição da Federação o deixou extremamente chateado. O caso abalou o chileno a ponto de ele declarar que cogita nunca mais atender a uma convocação, mesmo após a punição. "Meu maior sonho era brilhar pelo meu país e jogar uma Copa do Mundo, mas acreditaram só na imprensa, e não na minha versão. Não fizemos nada de errado", disse o jogador. "Quando essa punição acabar, pretendo me reunir com meus familiares e as pessoas de que eu gosto para analisar qual atitude vou tomar." Valdivia emendou: "Agora a seleção está em segundo plano para mim. Todas as minhas atenções estão voltadas somente para o Palmeiras". Ele chegou a tentar a ajuda do Sindicato de Jogadores Profissionais do Chile para que a punição fosse revista. Não obteve sucesso. "Eles deviam lutar pelos direitos dos jogadores, mas não o fizeram", lamentou o chileno. "Disse na cara do presidente do Sindicato que ele é um 'traíra'." É por essas e outras que cada vez mais Valdivia firma raízes no Brasil e deixa o Chile de lado. "Eu me sinto em casa aqui." O Mago cogitou até que o nascimento de sua primeira filha - Agustina - acontecesse em São Paulo. Mas, no fim, pesou a vontade da mulher, que queria a presença da família por perto. Por isso, a menina nasceu em Santiago, no dia 3 do mês passado. Duas semanas depois, porém, Agustina e Daniela já estavam em São Paulo com o papai coruja. "Ela acorda chorando três vezes por noite, e sou sempre eu que levanto para trocar as fraldas." Alegria dos treinos, amigo de todos, Valdivia afirma estar vivendo o melhor momento de sua carreira. "Queria um título para o Palmeiras, mas a classificação para a Libertadores será um ótimo prêmio." O Mago afirma que o time não só tem boas chances de garantir a vaga, mas também de terminar a competição em segundo lugar, atrás apenas do São Paulo - Valdivia acha que o título brasileiro já é do rival.

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