Valdo se transforma em símbolo no Botafogo

O meia Valdo foi o símbolo dacampanha vitoriosa do Botafogo na Série B do CampeonatoBrasileiro. Aos 39 anos, com um toque de bola preciso e visão dejogo privilegiada, ganhou mais admiração ainda dos alvinegros aoatuar durante o quadrangular final da competição com uma fraturano antebraço esquerdo. "Ali valia qualquer sacrifício." Depoisde anunciar que abandonaria o futebol no fim do ano, voltouatrás, comovido ante uma infinidade de apelos emocionados após aclassificação do Botafogo para a Série A do Brasileiro de 2004. Nesta entrevista, Valdo fala, entre outras coisas, de comomanteve sua forma física e técnica depois de 19 anos de futebolprofissional - começou a despontar no Grêmio, em 1984. Agência Estado - Qual o segredo da longevidade para um jogadorde futebol? Valdo - Falo por mim. Nunca tive lesões graves. Sempre leveiuma vida sossegada, sem badalações. O importante é ter amor peloque se faz. Eu sou apaixonado por futebol. Tudo que conseguiveio do meu trabalho. Agência Estado - Anos atrás, um jogador com 30 anos eraconsiderado "velho" para o esporte e tinha dificuldades deconseguir um bom contrato. O que mudou? Valdo - Tudo é produtividade. Se você é jovem e produz, estáaprovado. O mesmo com os de mais idade. Independentemente daatividade. O que ocorria antes é que o jogador se deixavainfluenciar por essa lógica falsa de que não poderia maisexercer a profissão com mais de 30 anos. Então, se sentia velhoe agia como tal. Mas, aos poucos, com exemplos como o de Júnior(ex-Flamengo e seleção brasileira), isso deixou de existir. Agência Estado - Você anunciou durante o Campeonato Brasileiroque encerraria a carreira neste fim de ano. Parece ter mudado deidéia. Quais são seus planos? Valdo - Estou disposto a disputar o Campeonato Carioca (noprimeiro trimestre de 2004). Mas vai depender da conversa queainda vou ter com o Levir Culpi (técnico do Botafogo),dirigentes. Tenho que também ver detalhes da minha vidaparticular. A tendência é que eu continue. E pode ser por maisseis meses ou mesmo por mais um ano. Agência Estado - Percebe em campo a distância que o separa dosmais jovens, com relação ao aspecto físico? Valdo - Discordo disso. Eu me sinto muito bem. Posso dizer queestou em forma. Prova maior é que nunca fiquei fora de umtrabalho físico no Botafogo, sempre fazendo as mesmas atividadesdos colegas. Além do mais, não tenho paciência para ficarcruzando bolas e treinando chutes a gol, enquanto os demaisestão aos cuidados do preparador físico. Agência Estado - Aos 39 anos e 10 meses, você quebrou umrecorde no Botafogo. Superou Nilton Santos, que atuou no clubeaté os 39 anos e 7 meses. É mais um título importante? Valdo - Não vejo dessa forma. Títulos para mim são os da LigaFrancesa (em 1995, pelo Paris Sains´t Germain), o CampeonatoPortuguês (em 1989, pelo Benfica), o tetracampeonato gaúcho peloGrêmio (1985-1988), o do Torneio Pré-Olímpico de 1987 e váriosoutros. Agência Estado - Você esteve em duas Copas do Mundo, comoreserva em 1986 e titular em 1990. Sente saudades da seleção? Valdo - Vivo cada etapa da minha vida. A seleção passou, foiimportante, ganhei dinheiro e prestígio com ela. Não tenhosaudades.Até porque fui injustiçado na Copa de 1994 (a seleção eradirigida por Carlos Alberto Parreira). Estava muito bem no PSG efiquei fora do Mundial. Meu último jogo na equipe foi numamistoso com a Argentina, em Buenos Aires (em 18 de fevereiro de1993; a partida terminou empatada por 1 a 1). Depois, fuiconvocado para jogos das Eliminatórias no mesmo ano, mas nãoatuei. Agência Estado - Como foi a experiência de ter disputado aSegunda Divisão do Campeonato Brasileiro? Valdo - Foi gratificante pelo resultado final. Mas é muitocomplicado.Cada jogo numa equipe como a do Botafogo é um martírio, umacobrança incrível. Agência Estado - Como foi ter atuado na fase final dacompetição com uma fratura no antebraço esquerdo? Valdo - Tranqüilo. Os médicos colocaram uma proteção no locale eu não sentia dor. Entrei somente nos momentos decisivos e alivalia qualquer sacrifício.

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