Valença pode ir embora sem nem estrear no Corinthians

Zagueiro tem contrato até o dia 15 de maio e ainda não acertou a renovação com a diretoria

Marcel Rizzo, Jornal da Tarde

10 de abril de 2008 | 19h16

O Corinthians tem um elenco com 28 jogadores aptos a entrar em campo. Destes, somente um não atuou um segundo sequer neste ano: o zagueiro Valença. Com o contrato terminando em 15 de maio, o jogador pode nem mesmo estrear com a camisa corintiana. Veja também: CBF define ordem dos jogos das oitavas da Copa do Brasil Valença chegou ao Parque São Jorge em janeiro, indicado pelo consultor médico Joaquim Grava, que operou o seu púbis machucado em julho. Foi o final de uma história dramática, que explica recente frase do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, quando questionado sobre a contratação do defensor: "Foi para recuperar o ser humano". Não atuar pelo Corinthians será uma frustração para esse pernambucano de 26 anos. Valença já gastou muitos reais para equipar o quarto do pequeno João Henrique, de quatro meses, e é um fiel torcedor corintiano, como o pai era na pequena Bom Conselho, distrito de 45 mil habitantes no interior de Pernambuco. "Eu ainda acredito que posso renovar com o Corinthians. Topo não ganhar luvas, manter o salário. Quero ficar aqui", disse Valença. Enquanto isso, a versão da diretoria do clube com relação à renovação do zagueiro é que aguarda um posicionamento do técnico Mano Menezes, que diz que ainda vai avaliar a situação. DRAMAA contratação de Valença, relacionado até agora para apenas uma partida do Corinthians neste ano (foi contra o Barras, dia 13 de fevereiro, em Goiânia, pela Copa do Brasil, mas ele não entrou em campo), explica-se pela cirurgia que fez na clínica de Joaquim Grava. Ao final da recuperação, em dezembro do ano passado, o jogador gastou, de seu bolso, R$ 22 mil entre consulta, operação, fisioterapia e deslocamento de Recife a São Paulo. O contrato com o Náutico havia acabado e, com filho prestes a nascer, estava desempregado e precisaria vender o carro, um Fiesta 2004, para se sustentar até o novo emprego. Foi quando Joaquim Grava comentou a situação de Valença no Corinthians. O nome do jogador já havia estado, meses antes, na pauta de contratações. Por que, então, não ajudar o jogador. Assim, ele foi contratado, sem direito a luvas, para ganhar cerca de R$ 10 mil por mês em um contrato de quase seis meses. "Sou grato ao Corinthians por isso. Mas confio no meu potencial. Acho que não joguei porque a defesa está muito bem (foram apenas 15 gols sofridos no Paulistão). Mas o Mano está me observando nos treinos", afirmou Valença. OS SALVADORESValença ficou do início de 2006 a meados de 2007, entre Santa Cruz e Náutico, jogando pouco por causa de uma dor na coxa direita, mas ninguém descobria o problema. Foi tratada como contratura e até como problema na virilha. Aí, um médico amigo dele sugeriu que a lesão era no púbis.  Sem confiar nos médicos de seu clube, Valença resolveu agir por conta própria. "Entrei na internet e procurei uma clínica em São Paulo. Escolhi a do Grava. Peguei o avião e fiz a consulta e todos os procedimentos pagando de meu bolso, já sem contrato", lembrou o zagueiro. Mas onde ficar em São Paulo, já que precisaria ficar direto na cidade para a operação? Quem achou a solução foi seu irmão Éder, que morou na capital paulista: um casal de pastores, de Guarulhos, que já o tinham ajudado.  Assim, Valença esteve hospedado na casa dos pastores Sandro Paulo e Andressa Paulo - e até hoje freqüenta o culto. Ansioso pela renovação, o zagueiro não se vê jogando em outro time em maio. Mas se o Corinthians só o contratou para "ajudar o ser humano", parece ter conseguido.

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