18.12.2015
18.12.2015

'O Palmeiras vai caminhar com as próprias pernas em 2016', diz Nobre

Presidente do clube diz que não é justo pedir ajuda para investidores na contratação de reforços para próximo ano

Entrevista com

Paulo Nobre

Daniel Batista, Luiz Antônio Prósperi, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2015 | 07h04

Aliviado, mas não relaxado. Assim Paulo Nobre inicia 2016 no comando do Palmeiras. Em entrevista ao Estado, o dirigente projetou a próxima temporada, admitiu que não pretende pedir ajuda da Crefisa, patrocinadora do clube, para contratações, falou da situação financeira do clube, Profut, crise do futebol, dentre outros assuntos.

O Palmeiras vai fazer grandes contratações para 2016?

O conceito grande nome é algo particular para cada um. O que eu digo é que todo jogador que é uma estrela, um dia não foi. A gente não pretende trabalhar com irresponsabilidade financeira pelo simples fato de estar na Libertadores. O Palmeiras precisa ser forte sempre e vamos atrás de quem julgarmos necessários em posições que gostaríamos de estar mais reforçados. Todas as contratações serão feitas pensando no retorno esportivo e não em marketing.

Tem se falado muito nos últimos dias que a relação Palmeiras e Crefisa não anda boa. O que acontece? 

A relação patrocinador e patrocinado cabem só as duas partes. Estou muito satisfeito e agradecido a todos os patrocinadores. Sem eles, dificilmente a gente teria chegado onde chegamos.

A Leila Pereira (presidente da Crefisa e da FAM) falou que espera que o Palmeiras passe nomes para eles irem atrás e tentar contratar. Quando será feito isso?

Eles pagam pontualmente um patrocínio maravilhoso. Não é porque eles têm muito dinheiro que tem a obrigação de investir no clube. Daqui a pouco é capaz de torcedor cobrar eles por isso.

Logo, não pretende pedir ajuda para a patrocinadora?

Claro. Enquanto o Palmeiras conseguir caminhar com as próprias pernas, não é justo pedir ajudar para o patrocinador.

As obras na Academia de Futebol (construção de um hotel para os atletas se concentrarem, que estavam sendo pagadas pela empresa estão paradas. Por quê?

Inicialmente, essa obra seria bancada pela Ambev. Os patrocinadores deram uma alavancada grande na obra, mas repito: Eles não têm obrigação nenhuma de fazer isso. Ajudaram demais. Se terminarem a obra, será excelente. Caso contrário, vamos terminar no nosso ritmo. Não vamos deixar a obra parada. Só resta saber se o término das obras será no ritmo deles ou no nosso. 

Como está a saúde financeira do Palmeiras?

O Palmeiras equacionou todas suas dívidas de curto prazo e isso permite planejar o futuro. Não estamos nadando em dinheiro. Ainda temos muitas dívidas. Mas conseguimos em 2015 não ter aporte do presidente, andar com suas próprias pernas, começar a devolver o dinheiro emprestado e ser campeão. Provamos que é possível fazer futebol sem populismo e com responsabilidade financeira.

O fato de ter as finanças equilibradas faz com que o assédio dos empresários aumente?

O Palmeiras é um dos primeiros clubes que os empresários procuram oferecendo jogadores, bem diferente do que aconteceu nos últimos anos. O que não pode é entrar no oba-oba e querer o jogador a qualquer preço. Há uns anos falaram aqui, quando estavam tentando repatriar um jogador, que o jogador vale o que a torcida acha que ele vale. Isso é uma das maiores imbecilidades que pode se falar em administração de futebol. Jogador vale o quanto ele pode dar de retorno. Temos que pensar como uma empresa, de forma fria e não emocional. 

A WTorre tem repassado o valor dos shows e demais eventos que são realizados na arena? 

Bom, situações entre Palmeiras e WTorre a gente trata na arbitragem. Não quero correr o risco de atrapalhar qualquer situação sobre esse tema.

Foi noticiada a renovação com a Adidas, mas o Palmeiras nunca confirmou oficialmente. Qual a situação, de fato?

Sim, renovamos e temos um acordo até o final de 2016, com a possibilidade de se prorrogar até o final de 2018.

Por falar em Allianz Parque, um tema polêmico é o fato de crianças menores de cinco anos terem que pagar ingresso nos jogos, ao contrário do que acontece em vários outros estádios. Isso deve ser revisto?

O Palmeiras não tem a liberdade de falar como cada pai tem que educar seu filho, mas temos um conceito. É um assunto que existe divergência na diretoria, mas enquanto eu for presidente, vou fazer valer uma coisa. Se acontecer um tumulto com crianças no meio, a imagem que estará em risco é a do Palmeiras. Se o pai quer levar o filho em campo, não podemos proibir, mas não vamos incentivar. O que acontecia no Pacaembu é um absurdo, pois tinha dois, três mil entradas gratuitas. A lei obriga a dar gratuidade para tanta gente e quem tem que pagar isso é o Palmeiras. Sei que esse assunto gera discussão, mas o Palmeiras não cresce com torcedores de estádio. O que precisa ter é um time competitivo, que orgulhe os mais de 16 milhões de torcedores.

Em relação a cota de TV, como se aproximar dos valores pagos para Corinthians e Flamengo?

Precisamos olhar com uma visão mais justa. Clubes menores fazem parte do cenário nacional. Não é porque eu presido um dos maiores clubes do mundo que tenho que pensar só em mim. Temos uma discussão de mudar o critério de classificação sendo que uma parte do pagamento é pelo tamanho da torcida e número de venda do pay-per-view. Outra é pela classificação no Brasileiro e uma terceira é um valor igualitário. Os clubes maiores têm que abrir mão e pensar que se matar os pequenos, a gente mata o celeiro do futebol brasileiro. Essa divisão pode ser interessante para o futebol.

O Palmeiras passa pouco na TV aberta. Não tem como melhorar isso?

A TV não tem preferência para o clube A ou B, mas pela audiência. O Santos, na época do Neymar, passava direto porque o público queria ver o Neymar. Conversas existem constantemente e a gente pede para passar mais jogos na TV, mas para acontecer isso, o Palmeiras precisa ter mais interesse do grande público. A maior audiência de futebol em 2015 foi a final de Palmeiras x Santos, na Copa do Brasil. Isso pode ser reflexo para o ano que vem. Vamos esperar.

O Palmeiras foi o único clube grande que não aderiu ao Profut. Qual o motivo? 

É uma felicidade a gente poder discutir se iríamos aderir ou não. É importante destacar que a maioria das obrigações terão que ser cumpridas, independente da gente entrar no grupo. Essa questão não envolveria apenas minha administração, mas as futuras também. Conversamos com o COF (Conselho de Orientação e Fiscalização do clube) e eles acharam que não valia a pena entrar, porque caso você não cumpra as exigências, perde tudo que tem hoje. A vantagem financeira não compensava caso a diretoria tenha problemas no futuro e não consiga pagar as coisas em dia.

Como vê a crise no futebol brasileiro. Hora dos clubes se unirem e tentar mudar o rumo?

Tenho um relacionamento pessoal com o Marco Polo. Estudei com a filha dele e foi pelo Marco Polo que eu entrei acabei entrando no clube, em 1983. Gosto dele e ponto final. Como presidente, sou a favor que se investigue tudo. Quanto mais transparência tiver, melhor para todo mundo. Até que saia a decisão, não condeno ninguém. Essa é a minha visão. Os cinco times de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Ponte Preta) nos reunimos e decidimos votar em bloco. Fora isso, não adianta ficar fazendo escândalo e não ser efetivo. Não adianta querer dar golpe. Os clubes precisam demonstrar força, mas com união e ordem.

E toda a polêmica na Fifa?

Triste. Mas vamos olhar com otimismo e ver a metade cheia do copo. Nos momentos mais difíceis, os clubes podem ser mais ouvidos.

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