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Vamos rezar

Espero que o Paulistão desse ano tenha alguma novidade

Ugo Giorgetti, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2017 | 06h00

Sim, rezar para alguma coisa de novo acontecer nesse Campeonato Paulista que se inicia. Se alguém souber de alguma novidade, me avise. Só consigo ter notícias dos grandes. Esses em geral não oferecem muita coisa de realmente diferente. De tudo o que vi, talvez Rogério Ceni seja a novidade deste campeonato. Não é muito, creio: treinador não joga. Mas de qualquer maneira é algo novo.

Dos participantes menores, mal sabemos o nome. Não há qualquer informação mais detalhada do que estão fazendo ou pretendem. Pelo que vi no recente Corinthians e Ferroviária creio que têm pouco a oferecer, mas é apenas uma impressão. Já que toquei nesse assunto, gostaria de saber o que leva uma televisão a transmitir um jogo amistoso e, mais que amistoso, um jogo-treino de avaliação das equipes, cujo resultado não importa a ninguém. Como é possível que um horário, antes chamado de nobre, seja ocupado com um bate-bola, porque na verdade isso foi o que houve entre Corinthians e Ferroviária.

Será que ninguém tem mais nem um pingo de imaginação para preencher um horário momentaneamente disponível ou vago? Será que nada pode substituir o jogo oferecido, mesmo que esse “jogo” não interesse a ninguém e que ninguém se ocupe dele?

O mesmo aconteceu, em menor escala, com Palmeiras e Ponte, na semana passada, também transmitido e possivelmente visto com algum tédio por telespectadores que sabiam que iam assistir a um simples treinamento disfarçado de jogo. Mas a TV transmite como se fosse jogo. Reveste sua transmissão com a pompa e a linguagem de um jogo, com os aspectos exteriores de um jogo. 

Desse jeito vai acabar transmitindo, com toda a solenidade, qualquer coisa que entre em campo. Um individual, dois toques, corridas em volta do campo, qualquer coisa, porque ninguém consegue ver no futebol outras implicações, histórias, acontecimentos ao redor do campo, personagens, humanidade. Tudo isso que num dia de marasmo total podia ser explorado e transmitido com muito mais interesse do que uma partida, que nem partida é.

Exibir no horário um belo filme de futebol não teria sido mais vantajoso? Um documentário, como existem vários? Ou uma retrospectiva, uma partida clássica e inesquecível, aliás, para recordar Campeonatos Paulistas anteriores, que já foram palco de disputas que ninguém esquece. Não um lance, não um gol, sempre os mesmos, que também não aguentamos mais, mas uma partida inteira.

Um jogo inteiro nos mostraria mais do que acontecia no campo. Nos mostraria o que já fomos, como eram os estádios, quando grandes torcidas agitavam suas bandeiras, como falavam os repórteres e narradores, como se vestiam os torcedores, enfim um pouco de sociologia prática e história dos costumes, se quiserem. 

É apenas uma sugestão, mas tenho certeza de que qualquer sugestão é preferível a um treino fantasiado, sem sentido, sem competição porque, como dizia o velho Didi, e todo boleiro bem sabe, jogo é jogo, treino é treino.

Talvez seja bom lembrar que só 25% dos espectadores têm TVs pagas. O resto assiste ainda à TV aberta. Pode ser que essa multidão não interesse mais, não conte mais, do jeito que se encaminham as coisas no Brasil, mas, de qualquer maneira essa gente, repito, só tem a TV aberta. E a ela é oferecido, como atração do nosso futebol, um treino! É justo?

No ano que passou tivemos a grata surpresa do Audax, de Fernando Diniz. Time inesquecível, do qual quatro jogadores jogam hoje nos quatro grandes de São Paulo. Alguns com muito sucesso como Sidão e, principalmente, Tchê Tchê, jogador excelente, no qual vejo possibilidades de virar um Adílio ou Seedorf. Não é pouco para uma só equipe. É o que se esperava antes do interior, dos times menores. Sabemos como anda hoje o Audax? Não. Temos alguma informação sobre ele? Não. Será que teremos um novo Audax este ano? Rezemos, não custa nada.

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