EPITÁCIO PESSOA/ ESTADÃO
Árbitros da Série A-1 fizeram semana de preparação em Itu (SP) EPITÁCIO PESSOA/ ESTADÃO

VAR do Paulistão poderá ficar em sala no estádio ou contêiner móvel

Primeira edição do estadual com uso do árbitro de vídeo começa neste sábado, com quatro partidas

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2019 | 04h30

O Campeonato Paulista de 2019, que começa neste sábado com quatro partidas, terá VAR. Só não se sabe ainda onde será instalada a estrutura do árbitro de vídeo, que entrará em ação apenas a partir das quartas de final. Serão dez jogos, portanto, com o uso do recurso eletrônico.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) estuda se os estádios dos times classificados para os mata-matas terão salas que abriguem as sete pessoas envolvidas na operação do VAR, a exemplo do que ocorreu na Copa do Brasil do ano passado, ou se elas ficarão alocadas em unidades móveis, como contêineres.

Tudo vai depender das condições do estádio, o que só se saberá com o desenrolar do campeonato, dependendo do desempenho de cada participante.

"A gente tem na federação um departamento de infraestrutura que está ajudando a empresa que produz a tecnologia. Essa equipe vai aos estádios, avalia a condição, se é melhor a sala ou uma unidade móvel, um contêiner montado próximo do caminhão que vai transmitir as partidas", explica o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Ednilson Corona.

Segundo ele, a federação precisa informar à Fifa com 12 dias de antecedência da realização da partida que utilizará o VAR. É norma. A partir do momento em que a entidade máxima do futebol dá o seu aval, o árbitro de vídeo pode ser usado em qualquer outro jogo do campeonato em questão. Mesmo assim, é preciso avisar sobre toda partida que contará com o recurso, mas aí o prazo é de apenas seis horas antes do evento.

Árbitros ainda não fizeram treinamento específico para atual edição

O treinamento para quem vai apitar os jogos ainda não focou a aplicação do VAR. Na última semana, os 16 árbitros e 24 assistentes escalados para a Série A-1 ficaram concentrados em Itu para aprimorar a parte física e estudar. Tiveram palestras teóricas e depois, em campo, aplicaram os conceitos. O árbitro de vídeo será tema de atividades posteriores. Alguns profissionais, como Luiz Flávio de Oliveira, pertencem ao quadro de elite da CBF e tiveram experiências com o VAR. 

"Com 20 anos de arbitragem, a gente passa por um momento como esse. Tem de aprender tudo de novo", brinca o juiz.

No fim das contas, o principal objetivo é evitar constrangimentos como o da final de 2018, que terminou com o Palmeiras acusando a arbitragem do jogo contra o Corinthians de apitar sob interferência externa.

DUAS PERGUNTAS PARA: Flávio Rodrigues de Souza, eleito o melhor árbitro do último Paulistão

1. O que você já teve de experiência com o VAR e qual sua expectativa para o uso agora no Paulistão?

A gente já vem trabalhando com o VAR pela CBF. No ano passado, tivemos alguns treinamentos para protocolar os árbitros aptos a trabalhar, então, já houve esse contato. A expectativa para implementação no Paulista é muito boa. Antes das quartas de final, vamos nos reunir novamente para reforçar os conceitos.

2. Muda muito a dinâmica do jogo com o VAR, seja para quem está apitando no campo ou vendo pelo vídeo?

A dinâmica acaba mudando um pouco porque a gente sabe do uso do árbitro de vídeo. Existem algumas jogadas, como um impedimento, por exemplo, na qual a recomendação, caso haja dúvida se o atleta está ou não na mesma linha, é deixar a jogada seguir para depois o árbitro de vídeo concluir se foi legal ou não. Há a possibilidade do uso desse artifício durante a partida.

 

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Campeonato Paulista terá arbitragem de trio feminino que irá à Copa

Paranaense Edina Alves Batista e catarinense Neuza Back se mudam em busca de maior entrosamento

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2019 | 04h31

O apito do Campeonato Paulista terá um sotaque do Sul. A árbitra Edina Alves Batista, do Paraná, e a assistente Neuza Back, de Santa Catarina, decidiram se mudar para São Paulo em busca de entrosamento com a também assistente Tatiane Sacilotti, que já trabalha no Estado.

As três foram confirmadas em dezembro como representantes do Brasil na Copa do Mundo feminina, que será disputada a partir de junho, na França. Ao todo, 27 árbitras e 48 bandeirinhas vão trabalhar no torneio.

"É difícil reunir em nível nacional para ter ritmo de jogo. A gente chegava nos eventos sem ter um entrosamento maior", conta a catarinense Neuza, que trocou a pequena Saudades, com pouco mais de nove mil habitantes, por Jundiaí (mais de 400 mil habitantes), no interior paulista, onde divide apartamento com Edina Batista.

A princípio, o trio não apitará na elite do Paulistão. Vai começar em jogos da Série A-3 e, dependendo do desempenho, pode ganhar oportunidades na divisão de acesso, a A-2. Também não estarão sempre juntas na mesma partida. De qualquer forma, a ideia é aproveitar cada oportunidade para se reunir.

"No fim de semana, fomos para a casa da Tatiane. Ficamos estudando. A expectativa para esse torneio é muito boa", diz Back, de 34 anos, que apita desde 2007 e foi a única mulher da arbitragem no Rio-2016.

Edina já teve experiências no futebol masculino. Em 2017, ela apitou uma partida entre Figueirense e Paysandu na Série B do Campeonato Brasileiro.

O caminho ainda é difícil para as mulheres. Dos 479 profissionais do apito listados no site da Federação Paulista, só 24 (ou seja, 5%) são do sexo feminino, sendo apenas seis árbitras.

"Tem de deixar de lado a questão do gênero. Se tem condição física e técnica, coloca para atuar", defende Neuza Back.

 

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