Vasco: contratações e bate-boca entre Eurico e Leandro Amaral

Presidente interino do clube carioca apresenta reforços e diz que atacante continua em São Januário

Leonardo Maia, Agência Estado

13 de dezembro de 2007 | 19h49

Era para ser a apresentação oficial dos dois reforços estrangeiros do Vasco para a próxima temporada, mas acabou se tornando mais um episódio da série Leandro Amaral versus Eurico Miranda. O nigeriano Abubakar e o chileno Villanueva, ambos atacantes, tornaram-se coadjuvantes da coletiva convocada pelo presidente interino do clube para anunciar também a contratação do técnico Alfredo Sampaio, do Madureira, para o posto de auxiliar de Romário, que fará o papel de treinador-jogador.Nesta quinta-feira pela manhã, Leandro Amaral botou mais lenha na fogueira ao conceder entrevista à Rádio Brasil afirmando que se sente livre a partir de hoje para negociar com qualquer clube e criticando o dirigente. "Ele me chamou e disse: 'os valores do reajuste são estes, você vai receber tanto. Se você gostar, ótimo, vai continuar com a gente. Se não gostar, vai continuar do mesmo jeito", revelou o atacante. Eurico tentou botar um ponto final nas especulações. "O que ele acha ou deixa de achar não me interessa. O fato é que ele está sob contrato e é funcionário do Vasco."O atleta também acusou o dirigente de ter quebrado uma promessa de liberá-lo em caso de proposta do exterior. "É mentira. Nunca prometi nada e ele não me apresentou proposta nenhuma", disse com veemência o presidente interino. "Eu notifiquei a ele e à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de que iria exercer a opção de prorrogação, presente no contrato assinado por ele, e disse quais seriam os valores. A única sondagem foi uma carta que recebi de um representante do Kashima Antlers (time japonês) perguntado se o Leandro tinha vínculo com o clube e pedindo autorização para negociar com ele. Disse que não (tinha autorização)."Eurico divulgou os tais valores. Estava previsto que Leandro Amaral receberia R$ 40 mil mensais no primeiro semestre e depois R$ 50 mil de salários nos seis meses seguintes. O dirigente disse ainda que voluntariamente e como reconhecimento pelo desempenho do atleta dobrou a quantia, ainda que não fosse obrigado, e que Leandro irá receber R$ 100 mil por mês até janeiro de 2009, quando se encerra o período de extensão.Segundo Eurico, o atacante está sendo aliciado já há bastante tempo mas que ele está disposto a esquecer o ocorrido. "Mas tudo vai depender de amanhã. Se continuarem a aliciá-lo, vou falar tudo, citar nomes e jogar pesado. Mexeram com a pessoa errada", ameaçou. De um jeito ou de outro, o impasse está criado e o clube carioca vê-se ligado a um jogador insatisfeito, que poderá simplesmente não se apresentar no dia 2, dia em que o elenco inicia a pré-temporada."Satisfeito ou não ele tem de cumprir suas obrigações, ou arcará com as conseqüências. Esperamos por ele na data marcada. Se o Leandro não quiser jogar pelo Vasco é muito simples, basta ele depositar na Federação (Carioca de Futebol) R$ 9,040 milhões (valor da multa recisória)", disse Eurico, ladeado por Paulo Valento, vice-presidente médico do clube, e José Luiz Moreira, vice-presidente de futebol.Eurico não quis opinar sobre as motivações de Leandro, mas deu a entender que o atacante, cobiçado por Fluminense e Botafogo, entre outros, talvez esteja tentando forçar o clube a romper o novo compromisso. "Acho que ele quer que eu reaja de alguma forma. Não vou fazer isso, não rompi com ele", ponderou, garantindo que não existe a menor possibilidade de negociar uma redução da multa para facilitar a saída do atleta.O dirigente confirmou também a chegada de Alfredo Sampaio para ajudar Romário em sua transição de jogador para técnico. "O Romário será nosso treinador até a final da Taça Guanabara, a qual esperamos chegar e conquistar, sendo o jogo da despedida dele", contou Eurico. "O Alfredo vai auxiliá-lo, passar sua experiência. Depois disso ainda não sei (quem será o técnico), ainda não planejei."Cada vez mais, a novela Leandro Amaral ganha dimensões épicas e tem tudo para ir parar nos tribunais desportivos, como as séries judiciais americanas.VILLANUEVA e ABUBAKARTalvez já prevendo o pior, a diretoria fechou com dois atacantes. O nigeriano Abubakar, de 19 anos, que passou os dois últimos anos no Internacional, e o chileno Villanueva, de 26, que estava no futebol coreano.Ainda com dificuldades em se expressar em português, Abubakar se disse feliz por defender o Vasco e prevê bom futuro no clube. "Quando era pequeno na Nigéria, via o Romário jogar e sonhava em defender o mesmo time que ele. Estou realizando esse sonho", disse o tímido jogador, que apontou a velocidade como sua principal virtude.Villanueva, que já atuou pela seleção de seu país, não fugiu muito do mesmo discurso, mas com um pouco mais de desenvoltura. "Ter a chance de jogar ao lado do Romário é espetacular, um sonho", disse o atacante, sem esconder o sorriso por voltar à América do Sul. "Jogar no Brasil é jogar no melhor futebol do mundo. No Chile, nossos ídolos de infância são os brasileiros, como o Ronaldo e o Romário. Quando o Vasco me procurou, eu falei: 'onde é que eu assino?’".

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