Vasco em crise dentro e fora de campo

A perda do terceiro título carioca consecutivo para Flamengo provocou uma crise técnica e financeira no Vasco. A humilhação imposta pelo arquirival pode deixar o clube que mais investe no futebol carioca - cerca de R$ 2,5 milhões mensais - sem conquistar um campeonato sequer neste primeiro semestre. Na quarta-feira, o Vasco enfrenta o Boca Juniors, pela Copa Libertadores da América, em Buenos Aires, e precisa vencer pela diferença de dois gols para prosseguir na competição.O tormento vascaíno teve mais um capítulo nesta segunda-feira, quando a equipe embarcava para a Argentina. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, na zona norte do Rio, um grupo de funcionários do local estava vestido com a camisa do Flamengo e aproveitou para provocar a delegação do Vasco. A viagem a Buenos Aires estava prevista para acontecer só terça-feira e sua antecipação foi justamente uma tentativa da diretoria do clube para fugir da fúria dos torcedores e preservar os jogadores. "Estaremos tristes até a hora do jogo, mas, quando entrarmos em campo, temos de dar tudo", assegurou Juninho Paulista, tentando fazer com que seus companheiros consigam dar a volta por cima.Mas, apesar do discurso de Juninho, alguns jogadores do elenco vascaíno ainda estavam revoltados com o resultado da final do Carioca. É o caso de Jorginho, que fez críticas ao técnico Zagallo, do Flamengo. Para ele, o treinador disse "mentiras" para motivar o seu time. "Não trememos como ele disse, mas perdemos e agora temos de aturar o Zagallo falando." Para piorar a situação vascaína, nessa partida contra o Boca, a equipe não contará mais uma vez com Romário, que tem uma contusão na panturrilha direita que já o tirou das duas partidas da final estadual. A torcida do Vasco já mostra sinais de impaciência com o atacante, acusado de não participar dos jogos nas horas decisivas.A crise no futebol reflete os problemas financeiros que o Vasco está enfrentando. O rompimento do contrato de parceria com o Bank of America trouxe à tona as dívidas que a ?aventura olímpica? causou ao clube. Os vascaínos podem ser obrigados a pagar cerca de R$ 74 milhões referentes ao valor que deveria ter sido repassado a VascoLic (Vasco Licenciamentos), empresa detentora dos direitos de licenciamento da marca do clube. Já houve duas promissórias vencidas.Acuado pelas dívidas, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, acenou, nas últimas semanas, com a possibilidade de um acordo com o banco e seus novos parceiros. Pelo novo contrato, o clube receberia, de imediato, US$ 15 milhões, mas o banco insiste em nomear representantes para administrarem a parceria, o que desagradou o dirigente.

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