Vasco tenta evitar festa do Atlético

Vasco e Atlético-PR se enfrentam nestedomingo, às 16 horas, em São Januário e, mais do que apossibilidade de o título do Campeonato Brasileiro serassegurado pelos paranaenses, a partida pode comprovar umatendência: a decadência política do presidente vascaíno EuricoMiranda. Em outros tempos, com o time carioca brigando para nãoser rebaixado para a Série B do Nacional, uma derrota em casaseria impensável, seja por questões técnicas ou políticas. Agora a situação é diferente. Desde 2001, quando foi investigado pelas CPIs do Futebol no Senado, e da CBF/Nike, na Câmara dos Deputados, o presidentedo Vasco viu seu prestígio e sua influência no futebol nacionaldecaírem. Ficou isolado politicamente e suas opiniões deixaramde ter tanta força no cenário esportivo. Um dos principais exemplos dessa decadência são os jogosrealizados pelo Vasco em São Januário. Antigamente, em váriaspartidas do clube carioca em seu estádio, as vitórias foramcontestadas. Os adversários temiam em atuar no Rio,principalmente, pelas interpretações equivocadas dos árbitrosque favoreciam a equipe da casa, além da pressão exercida porseu presidente. Mas, esta edição do Brasileiro comprova que São Januáriodeixou de ser, pelo menos temporariamente, o alçapão vascaíno.No total de 19 jogos, o Vasco colecionou 8 derrotas, cincoempates e apenas seis vitórias. E as vitórias conquistadas pelos vascaínos foram em suamaioria contra times em dificuldades na tabela de classificaçãodo Nacional ou nas posições intermediárias, como Atlético-MG,Vitória, Cruzeiro e Figueirense (as outras foram sobre Goiás eInternacional). Em relação aos times paulistas, somente insucessos, omaior, contra o Palmeiras, quando o Vasco foi goleado por 5 a 2.Corinthians, Santos e São Caetano também venceram a equipecarioca em São Januário. E até o Guarani, na penúltima colocaçãodo Brasileiro, triunfou no reduto de Eurico Miranda. Contra SãoPaulo e Ponte Preta houve empate. Os juízes também deixaram de ser os nomes aprovados pelopresidente do clube. Por exemplo, a escolha do árbitro Wilson deSouza Mendonça (Fifa-PE) para o confronto desagradou osdirigentes do time carioca. O supervisor vascaíno Isaías Tinocochegou a levantar dúvida sobre o sorteio realizado, naquarta-feira, na sede da Confederação Brasileira de Futebol(CBF), alegando que no dia anterior já sabia o nome do indicado.O choro de nada adiantou. Para evitar ainda mais aborrecimentos, Eurico Mirandadecretou a "lei do silêncio" em São Januário e somente osdirigentes falaram com os jornalistas durante a semana. E mesmodiante da possibilidade de rebaixamento para a Segunda Divisão,ele manteve a pose e a confiança no time. "Fiz isso porque nãoqueria que um atleta falasse demais e tumultuasse ainda mais oambiente. Jogador, às vezes, fala demais e sem pensar",justificou Eurico Miranda. "O Atlético-PR e o Santos(adversário da última rodada) são aqueles que devem temer oVasco. O Vasco não teme a ninguém!" Alheio às declarações do presidente do Vasco, o técnicoJoel Santana optou por testar duas formações táticas para aequipe durante a semana: 4-4-2 e 3-6-1. As mudanças ocorreramdiante da necessidade de o time carioca obter a vitória paraficar livre da ameaça de rebaixamento.Atualmente, os vascaínos têm 51 pontos na tabela declassificação. A tendência é a de que o time atue na formação 4-4-2.Mas, se optar pela armação 3-6-1, Marco Brito cederá seu lugarentre os titulares para o zagueiro Daniel. No meio-de-campo,independente da escolha tática de Joel Santana, o volante Júnioratua no lugar de Émerson, suspenso por desentendimentos com otreinador.

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