Vasco troca acusação com ex-parceiro

Continua a troca de acusações entre o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e a Vasco da Gama Licenciamentos (VascoLic), controlada pelo Bank of America, com que o clube está em litígio. Nesta sexta-feira, o dirigente afirmou que o dinheiro enviado ao exterior, após um pedido seu, teve como destino um banco que pertence ao Bank of America. A VascoLic, por sua vez, recorreu à Justiça para cobrar o pagamento de R$ 15 milhões de uma nota promissória.Eurico pediu à VascoLic que depositasse R$ 17,5 milhões no Liberal Banking Corporation Limited, nas Bahamas, um conhecido paraíso fiscal. O dinheiro representava metade do que a empresa pagou pela compra da marca do clube. Segundo o presidente do Vasco, esse banco nas Bahamas pertence ao Bank of America e, portanto, o seu parceiro recebeu de volta esse valor. O principal acionista da VascoLic, Deportes Sports Holding Limited, tem sede nas Ilhas Cayman, outro paraíso fiscal.Questionado sobre o motivo das remessas, Eurico informou que a empresa tinha pago, por antecipação, parte do valor a que o clube tinha direito. O dirigente mostrou os recibos dos depósitos, que, segundo ele, provam a sua tese. Ainda afirmou que o presidente do Vasco na época dos depósitos, Antônio Soares Calçada, conhecia as transações.Na quinta-feira, Calçada tinha afirmado estar estarrecido com as denúncias.Eurico garantiu que não tem conta no exterior, assim como o clube.Como o Liberal C. Limited fica em um paraíso fiscal, não é possível comprovar qual o dono da conta em que o dinheiro foi depositado. Mais uma vez, o presidente do clube ameaçou a TV Globo e, desta vez, também o senador Geraldo Althoff com processos na Justiça.Parceiro - O advogado da VascoLic, Marcelo Ferro, afirmou que a empresa pagou o que devia ao clube na conta em que Eurico lhe indicou. "A VascoLic devia ao clube e pagou no lugar em que lhe foi recomendado pelo dirigente", informou. "Não há porque um devedor questionar onde devem ser feitos os pagamentos." Eurico era o responsável por negociar diretamente com a empresa. Ferro garantiu que a contabilidade da empresa está correta por ser alvo de auditorias constantes. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lembrou ele, fiscaliza a VascoLic, que é uma empresa de capital aberto. Ao comentar o conflito com o clube, o advogado reconheceu que os executivos do banco não estão confortáveis com a situação. "Mas estão tranqüilos porque toda a contabilidade da empresa já foi auditada."Nesta sexta-feira, o advogado entrou com uma ação de execução na 8ª Vara Cível para cobrar do clube o pagamento de uma nota promissória no valor de R$ 15 milhões, vencida em abril. A nota foi emitida para garantir que a empresa receberia o dinheiro que o clube estava retirando, relativos a diretos de transmissão de campeonatos.Segundo Ferro, a empresa tem outra promissória, que vence em maio desse ano, no valor de R$ 24 milhões. O advogado ainda informou que o presidente do Vasco seria notificado por ter descumprido o contrato entre o Bank of America e o clube. Ele também entrou com uma notificação exigindo que o clube pagasse cerca R$ 75 milhões, que segundo a empresa, lhe seriam devidos.

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