Vasco vai à Justiça contra o calendário

A maior reivindicação de todos os que estão envolvidos com o futebol brasileiro foi atendida: a cúpula do esporte criou um calendário quadrienal com a programação de jogos e competições no período de 2002 a 2005. Depois de 12 anos à frente da CBF, pressionado pelo governo federal, o presidente Ricardo Teixeira anunciou uma fórmula para organizar o esporte, que agrada em cheio à principal detentora de direitos de transmissão de televisão: a Rede Globo. O ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, promete estar "atento" no cumprimento do calendário. O Vasco é o único clube resistente às mudanças e seu presidente, Eurico Miranda, garantiu que vai recorrer à Justiça comum. Reconhecendo os erros que cometeu durante a sua gestão, Teixeira garantiu que todos estão "assistindo ao nascimento do novo futebol brasileiro". Este foi o mesmo tom de discurso de todos os que estavam presentes e compõe a cúpula do esporte. Mas Melles fez questão de ressaltar que vai intervir em caso de não cumprimento dos compromissos assumidos. "Sempre ativo ao desrespeito, não hesitarei em entrar com medidas normativas." Pelé reconheceu que será necessário um tempo para que os clubes se acostumem ao calendário. "Tudo que é novo precisa de adaptação." Ainda admitiu que será difícil que tudo aconteça exatamente da forma como foi proposto. "É impossível 100%, sempre vai ter uma modficação." Pela proposta, apenas interferências da Fifa ou da Confederação Sul-Americana podem provocar mudanças no calendário. Os campeonatos estaduais e a Copa Mercosul - criticados constatemente pelo diretor da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto - foram as competições mais atingidas. Os estaduais serão apenas classificatórios para os campeontos regionais, que levarão os primeiros de cada estado a um quadrangular final. Embora seja a competição mais rentável para os clubes brasileiros, a Copa Mercosul não contará com a participação dos times do País. Campos Pinto considerou as mudanças "uma página da história do futebol". As ligas, que foram consideradas as soluções durante bom tempo, surgem subordinadas à CBF e às Federações e vão ajudar a organizar o Campeonato Brasileiro e os regionais. A Copa do Brasil tem velhos vícios: terá vários convidados da CBF entre os participantes. A influência da Rede Globo no processo - que, segundo Campos Pinto, foi apenas de dar algumas sugestões - foi criticada pelos seus opositores: o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Fferj), Eduardo Vianna, e o presidente do Vasco, Eurico Miranda. O dirigente da federação divulgou nota oficial em que acusa o novo calendário de atender interesses comerciais de uma emissora de comunicação. Em Brasília, Eurico garantiu que vai recorrer à Justiça comum, alegando que as decisões têm de ser tomadas no Conselho Técnico formado pelos clubes. "Não foi feito dentro da legalidade porque os clubes é que tem de decidir isto." Teixeira garantiu que não há base legal para questionar o calendário proposto. A posição de Eurico, porém, é isolada mesmo entre os clubes, como explicou o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff: "O Vasco é único que não concorda."

Agencia Estado,

26 de junho de 2001 | 18h30

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