Vasco x Figueirense deve ser anulado

As investigações sobre esquema de corrupção na arbitragem brasileira estão apenas começando, mas já é certo entre auditores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que pelo menos um jogo do Campeonato Brasileiro será anulado: Vasco x Figueirense, disputada em 7 de agosto, em São Januário, com vitória do time carioca por 2 a 1. O resultado teve influência direta de Edilson Pereira de Carvalho, após marcar um pênalti inexistente para o Vasco e convertido por Romário e ainda por ter coagido os catarinenses com distribuição de cartões amarelos no primeiro tempo do jogo.?É o caso mais grave, até agora, por conta do teor das conversas gravadas (entre Edilson e o empresário Nagib Fayad) que confirmaram manipulação no resultado?, disse um auditor do STJD à Agência Estado. No jogo realizado em São Januário, o árbitro aplicou 3 cartões amarelos no 1.º tempo ? todos ao Figueirense: o capitão Bebeto, por reclamação, Michel Bastos e Alexandre. O Vasco, no intervalo, já vencia os catarinenses por 2 a 0.?A anulação de jogos, além da punição rigorosa dos envolvidos, será a medida mais adequada da Justiça esportiva para dar satisfação à sociedade. O de maior repercussão é o confronto entre Vasco e Figueirense, que deve encabeçar a lista das anulações?, comentou outro auditor do STJD. A decisão do tribunal, porém, ainda deve levar pelo menos duas semanas para ser consumada.O próprio Luiz Zveiter admitiu nesta segunda-feira que algumas partidas devem ser anuladas. ?A chance de ter jogo anulado é grande. Mas temos que aguardar as investigações?, afirmou, em entrevista ao programa Bem Amigos, do canal SporTV.Nas gravações feitas pela Polícia Federal, Edilson e Nagib Fayad acertam a manipulação do resultado do jogo e o árbitro garante, em troca de R$ 15 mil, que o Vasco sairá vitorioso de seu estádio. ?Pode jogar até os carros que você tem que amanhã eu saio de escolta (do jogo) do Figueirense?, diz o árbitro ao empresário, num trecho da conversa.Nervoso - O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, Armando Marques, deixou o prédio da entidade às 18h45 desta segunda-feira e foi ríspido com a imprensa. Ao ser perguntado se comentaria algo sobre o escândalo, disse que não tinha o que declarar. ?Não tenho que falar nada. Não insista.? Enquanto caminhava do hall dos elevadores até o táxi que o aguardava, Marques se manteve irredutível. Quando o repórter disse que o presidente do STJD, Luiz Zveiter, afirmara ser importante que ele fizesse pronunciamento, a resposta veio em voz alta. ?Não sou polícia para fazer pronunciamento. Não me interessa o que ele (Zveiter) disse.?

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