Ringo Chio/Reuters
Ringo Chio/Reuters

Veja como funciona o sistema de 'bolha' nas competições esportivas

Modelo serve para isolar atletas e garantir a segurança contra possíveis casos de contaminação pela covid-19

Toni Assis, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 14h14

Em um momento em que a pandemia do novo coronavírus continua aumentando sua escala de vítimas fatais em todo o Brasil, a decisão de paralisar atividades esportivas vem preocupando dirigentes de times e federações sob o risco de complicar ainda mais a saúde financeira dos clubes e o andamento do calendário de jogos. E o risco só aumenta com a exposição de jogadores e comissão técnica enquanto estiverem em trânsito por hotéis e aeroportos. Assim, a chamada "bolha esportiva" surge como uma das alternativas propostas pelos dirigentes.

A ideia da "bolha" é isolar todos os atletas e pessoas envolvidas diretamente com os campeonatos (treinadores e comissão técnica) para que os protocolos sanitários sejam cumpridos e, o mais importante, o distanciamento total seja eficiente para conter a ação do vírus.

A NBA é um exemplo de sucesso dessa estratégia. Segundo Adam Silver, comissário da liga americana de basquete, foram investidos US$$ 150 milhões (R$ 838 milhões) para cumprir o isolamento e os protocolos sanitários de todos os atletas em 2020. O "retiro" dessa operação foi no enorme complexo da Disney, o ESPN Wide of Sports, em Orlando, nos Estados Unidos. Após uma paralisação de quatro meses por causa da pandemia, a retomada sob os cuidados da"bolha" contou com 203 jogos e 6.500 pessoas envolvidas em toda a operação.

Na NBA, os protocolos foram seguidos de todos os cuidados. Assim que chegaram ao complexo, os testes foram diários, além do confinamento nos quartos em um primeiro momento. Nesta operação, atletas, técnicos e estafe das franquias ficaram hospedados em três dos 18 hotéis do complexo durante o período de isolamento. O ecossistema da bolha foi tão eficiente que, mesmo com a entrada de familiares, o quadro não teve alterações.

"A NBA foi a primeira grande liga a suspender jogos no mundo. No início de março, a Uefa fez a primeira rodada das oitavas de final da LIga dos Campeões, sendo que a Europa naquele momento vivia uma situação de contaminação muito mais grave que o continente americano. A liga suspendeu os jogos mesmo com o presidente Donald Trump menosprezando a gravidade da pandemia. Por ter tomado a atitude de suspender antes, a NBA 'puxou o bonde' e serviu de exemplo para os grandes eventos ao redor do mundo. Foi um pioneirismo que os outros esportes, especialmente o futebol, poderiam ter tido", aponta Bruno Maia, especialista em inovação e novos negócios na indústria do esporte e entretenimento, que é sócio da 14, agência de conteúdo estratégico, e lançou em 2020 o livro e o curso Inovação é o Novo Marketing.

A mesma estratégia foi utilizada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para o Circuito Brasileiro de Vôlei de praia no ano passado. Nos mesmos moldes da NBA,  a entidade usou o Centro de Desenvolvimento do Vôlei (CDV), em Saquarema, para garantir a segurança dos atletas e barrar a transmissão do novo coronavírus nas duas primeiras etapas do circuito.  O ponto principal do protocolo de segurança, além do isolamento, era a realização do teste de RT-PCR antes dos jogos. Os atletas que não tinham o vírus eram admitidos no CDV e depois se submetiam diariamente a testes para detectar anticorpos para o coronavírus, além de uma análise clínica para uma avaliação de sintomas.

O mundo do futebol também se adaptou à "bolha esportiva" para driblar os efeitos da pandemia. A Liga dos Campeões do ano passado teve os seus jogos finais sediados em Portugal. O país acabou escolhido pela Uefa porque foi considerado um local seguro para realização das partidas por ter combatido, de maneira eficiente, os efeitos da pandemia.

A fórmula de disputa da semifinal também sofreu alteração. Ao invés de jogos de mata-mata, a vaga para a final foi decidida em jogo único. No procedimento adotado, jogadores e integrantes da comissão técnica foram submetidos a testes dias antes de viajar para Lisboa e o processo se repetiu quando chegaram a Portugal.

Com os jogos fechados para a torcida, a Uefa estabeleceu regras também para os gandulas. O uso de máscaras foi obrigatório, o distanciamento dos jogadores era em torno de dois metros e todas as bolas devem ser desinfectadas após o aquecimento e no intervalo das partidas. 

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