Vélber, uma história de superação

Vélber, um meia baixinho de 1,69m e 25 anos que o São Paulo contratou para a temporada, vive um conto de fadas. O Centro de Treinamento, com comida da melhor qualidade à vontade, tevês, vídeos, dvds, uma sala de computadores para jogos e todo o conforto que se pode imaginar, é como um palácio das histórias em quadrinho, para ele. Há alguns anos, na década de 90, nem seu melhor sonho poderia lhe mostrar mudança tão radical e positiva em sua vida. O jogador sentiu na pele o que é a miséria, em Belém do Pará, sua terra natal. E no estômago. "Passei fome e não desejo isso para ninguém." Criado pelos avós Levindo e Isabel Conceição, Vélber teve de se desdobrar desde criança para conseguir a sobrevivência. Os pais, Vera Lúcia e Raimundo, não puderam sustentá-lo. "Não foi por falta de interesse, mas por falta de condição."Exerceu vários tipos de atividade em busca de um trocado, mas o mais marcante foi vender pastéis na feira, por 10 centavos. Só que, enquanto estava trabalhando, a fome aparecia. E, muitas vezes, o pastel era a solução para o problema. "Eu comia o pastel, porque muitas vezes não tinha nada em casa", conta. "Não tenho vergonha dos trabalhos que fiz, mas orgulho."Um dos momentos mais difíceis foi aos 10 anos, quando seu avô morreu. "Sofri demais." Superou, no entanto, o sofrimento e a miséria para iniciar a trajetória da vitória. Em 1997, começou a carreira profissional no Tuna Luso. Mas com grande dificuldade. Por falta de dinheiro para ir aos treinos, chegou a pedir dispensa e a pensar em abandonar a carreira. Mas Samuel Cândido, técnico da equipe fez de tudo para ajudá-lo. Tampouco tinha muito dinheiro, mas passou a lhe dar dois passes por dia - um para ir e outro para voltar -, além de R$ 5,00 para o almoço e o jantar.Resistiu e começou a destacar-se. Foi para o Paraná, depois voltou a Belém para jogar no Tuna e no Remo, mas ganhou importância mesmo no Paysandu, pelo qual disputou até Libertadores. Agora, no São Paulo, luta para conquistar a confiança da rigorosa torcida, do técnico Cuca e, principalmente, para poder ajudar a família, que, graças ao seu talento e esforço, já consegue levar uma vida decente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.