Mohammed Dabbous/Reuters
Mohammed Dabbous/Reuters

Velocidade para criar e atenção na defesa: como o Palmeiras pode vencer o Tigres no Mundial

Estreia da equipe mexicana deixa indicações importantes para a equipe paulista se preparar para domingo

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 10h00

O Palmeiras conheceu nesta quinta-feira o adversário na semifinal do Mundial de Clubes e já identificou possíveis pontos a serem estudados para o compromisso do próximo domingo contra o Tigres, em Doha. Membros da comissão técnica do treinador português Abel Ferreira acompanharam a partida do time mexicano e vão passar aos jogadores pelos próximos dias vídeos e orientações para executar a estratégia ideal.

Nos últimos dias, o Estadão conversou com jornalistas mexicanos e viu vídeos do Tigres para analisar os pontos fortes e fracos do primeiro rival palmeirense no Catar. Os relatos são unânimes em apontar que a equipe tem um estilo de jogo baseado na calma e na troca de passes. A equipe mexicana joga com paciência para buscar o gol e espera o tempo necessário até achar um espaço e finalizar o ataque.

"Ficamos sabendo agora no fim do treino que o Tigres passou. Conseguimos ver o primeiro tempo da partida. O professor Abel (Ferreira) vai traçar nossa estratégia, nosso plano de jogo. Sabemos que o Tigres é uma equipe gigante do México, mas nós somos Palmeiras. Temos de vencer todos os jogos e vamos nos preparar para ganhar", disse o zagueiro Luan, do Palmeiras, nesta quinta.

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Sabemos que o Tigres é uma equipe gigante do México, mas nós somos Palmeiras. Temos de vencer todos os jogos e vamos nos preparar para ganhar
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Luan, Zagueiro do Palmeiras

A maior parte dos titulares do Tigres têm mais de 30 anos. A experiência contrasta com a falta de velocidade em algus momentos das partidas. A equipe demora para se recompor e deixa espaços. Os dois zagueiros centrais são lentos. O Tigres tenta compensar essa falha com a escalação de dois volantes que marcam forte: o brasileiro Rafael Carioca e o argentino Guido Pizarro. O goleiro Guzmán também é um dos principais atletas.

O ataque é um dos pontos fortes. O Tigres marcou 36 gols nos últimos 24 jogos do campeonato local graças principalmente ao francês Gignac, maior artilheiro da história do clube. O centroavante tem bom posicionamento e anotou duas vezes na vitória sobre o Ulsan nesta quinta. O jogador também costuma sair da área para buscar a bola e abrir espaços para os companheiros.

Quem costuma se aproveitar dessas movimentações é o colombiano Luis Quiñones. O atacante veloz costuma jogar aberto pelo lado direito do campo e chega com facilidade à linha de fundo. Pela esquerda, o técnico brasileiro Ricardo Ferretti pode optar por Javier Aquino, que tem as mesmas características. Experiente, o mexicano disputou as duas últimas Copas do Mundo.

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Nosso foco mudou totalmente. Só vamos pensar no Tigres agora, em como eles jogam, em como vai ser. Tenho certeza que vamos fazer excelentes treinos para conseguirmos a vitória
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Gabriel Menino, Meia do Palmeiras

A partir desta sexta-feira, os trabalhos do Palmeiras no Catar passam a ser mais focados em como explorar as fraquezas da equipe mexicana. "Nosso foco mudou totalmente. Só vamos pensar no Tigres agora, em como eles jogam, em como vai ser. Tenho certeza que vamos fazer excelentes treinos para conseguirmos a vitória", comentou o meia Gabriel Menino.

ANÁLISE - Cesar Vargas*

'O Tigres sofre com times rápidos'

Tigres está melhorando algo que está demonstrando agora algo que não tinha antes: administrar o jogo. O time não foi superior ao Ulsan em todo o tempo, inclusive saiu atrás no placar. Mas a equipe mexicana conseguiu ser eficiente. São dois jogadores fundamentais, o goleiro Guzmán e o atacante Gignac. O técnico Ricardo Ferretti está há dez anos no cargo, mas é muito criticado até por alguns dirigentes.

Vários titulares têm mais de 30 anos, são experientes. Isso ajuda a administrar melhor o ritmo do jogo. Quando a equipe tem a posse de bola, como foi contra o Ulsan, pode neutralizar a velocidade do time adversário. Mas o Tigres sofre quando o time adversário impõe velocidade. Isso pode ser complicado diante do Palmeiras, que tem atletas jovens. Os defensores são um pouco lentos e demoram para reagir aos movimentos.

A equipe tinha um dos melhores times da Libertadores de 2015 e até ganhou do River na fase de grupos, mas os jogadores sentiram o peso da final contra o mesmo adversário. A força da torcida impressionou demais. Era um time na época muito jovem e com muita experiência. O cenário agora mudou e o time joga no Catar em um campo neutro e com uma equipe mais madura para partidas desse nível.

*Jornalista mexicano da cidade de Monterrey, trabalha há mais de 30 anos na área

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