Vem aí a "Família Bonamigo"

Muito calor, clima de guerra e uma partida de vida ou morte. A expectativa do Palmeiras para o jogo desta quarta-feira, contra os venezuelanos do Deportivo Táchira, é de uma batalha, que exige cuidados especiais. Bastante desfalcado, o time decide a classificação à segunda fase da Libertadores após longa viagem até San Cristóbal, na fronteira entre Venezuela e Colômbia. Uma derrota será fatal e a vitória praticamente garantirá o time nas oitavas-de-final.Será a estréia do técnico Paulo Bonamigo no torneio. Gaúcho como Luiz Felipe Scolari, que deu à equipe de Palestra Itália o título da Libertadores de 1999, o treinador se diz menos duro que o amigo de Porto Alegre, mas segue a fórmula do mestre e busca formar não só um time, mas uma família - a família Bonamigo. Nesta entrevista exclusiva, o treinador fala de seu início de trabalho no Palmeiras e das perspectivas para a competição sul-americana.Agência Estado - Outro treinador gaúcho deixou saudade no Palmeiras. O senhor se espelha em Felipão?Bonamigo - Ele foi um dos grandes técnicos que eu tive (quando jogador) e aprendi muito. Sem dúvida, é um dos nossos ícones. A liderança que exerce sobre o grupo talvez seja o aspecto mais positivo dele.AE - Mas, segundo alguns jogadores, senhor não é tão severo.Bonamigo - Sou da escola gaúcha. Minha exigência é severa também, busco o limite de cada um e gosto da disciplina e determinação. Mas também gosto da técnica. Não sou 100% severo, tento exercer o comando com inteligência. Mordo e depois assopro. Gosto muito de enaltecer os jogadores. São eles que vão decidir.AE - Na Copa de 2002, o Felipão tinha a família Scolari. O senhor também quer a sua?Bonamigo - Gosto de agregar. Não vejo uma equipe vitoriosa, se não for agregada. Ninguém verá no meu grupo gente brigando, nem jogador insatisfeito. Insatisfeito não fica. Eu cobro e busco criar espírito de vestiário vencedor. Numa competição de oito meses (Brasileiro), com uma Libertadores paralelamente, todos vão participar.AE - O jogo de amanhã vale vaga?Bonamigo - Se o Palmeiras vencer, praticamente confirma a classificação. Se não, o Táchira entra na briga e o Santo André volta a ter boa possibilidade. É uma decisão, precisamos de espírito de decisão.AE - O senhor teme problemas com torcida ou arbitragem?Bonamigo - Se aparecerem, estaremos preparados. Já alertamos todos. Isso é típico de Libertadores. No meu tempo de jogador, a gente apanhava dentro do vestiário, tinha foguetório à noite na porta do hotel.AE - Aconteceu com o senhor?Bonamigo - Joguei várias Libertadores, fui campeão em 83 pelo Grêmio e vice em 84. Pelo Inter, em 89, ficamos em terceiro. Uma vez, num jogo do Grêmio contra o Estudiantes de la Plata, nosso centroavante (Caio) foi agredido no vestiário. Depois do intervalo, os adversários o pegaram no túnel e o encheram de pancadas. Ele não voltou para o segundo tempo.AE - Como técnico, é seu primeiro jogo de Libertadores. Há uma preparação diferente?Bonamigo - Sei que é uma competição especial pela forma de disputa, pela motivação dos adversários em enfrentar equipes brasileiras. Mas não damos prioridade para nenhuma competição neste momento. A equipe tem de manter empenho que mostrou em outros jogos e não pode errar.AE - Após dez dias e dois jogos, já se sente em casa no Palmeiras?Bonamigo - Em termos de ambiente de trabalho está muito bom, estou bem. É claro que ainda procuro um padrão de jogo para a equipe.AE - Por que a viagem com tanta antecedência?Bonamigo - Para habituar os jogadores. É uma viagem longa, a temperatura aqui está alta. E é importante ficarmos concentrados, para agregar mais. Infelizmente, tivemos de dividir o grupo e uma parte ficou em São Paulo.AE - O que espera do Táchira?Bonamigo - Tem o centroavante, Rondón, que é forte e com boa presença de área. Independentemente de a equipe ser forte, média ou fraca, trata-se de jogo de Libertadores. E, por ser decisivo e em casa para eles, certamente virão com tudo. Nos preparamos como se fosse o maior adversário do mundo.

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