Alex Silva/Estadão
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Vencedor, técnico Narciso sonha com final do Paulistão

Treinador do Penapolense, que superou a leucemia, considera possível eliminar o Santos

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2014 | 22h23

SÃO PAULO - A vida de Narciso daria um filme. No roteiro, vitórias, sucesso na carreira, uma doença grave e a volta por cima. "Eu nunca coloco em dúvida aquilo que faço", disse o treinador. Não à toa o ex-volante do Santos conduziu o Penapolense à semifinal do Campeonato Paulista, contra o time que defendeu em 266 jogos entre 1994 e 2004. No retorno à Vila Belmiro, Narciso, técnico desde 2005, terá a dura tarefa de passar pelo melhor time do torneio. Tarefa difícil, mas não impossível para o treinador que venceu a morte ao se curar da leucemia, a doença que o deixou parado por mais de três anos – entre 2000 e 2003.

ESTADO: A liderança que você mostrava quando jogador o ajuda a ter êxito na carreira de treinador?

Narciso: Com certeza. A minha personalidade e o meu jeito fazem a diferença e ajudam muito na minha carreira de treinador. Tive a felicidade de ter sido capitão do Santos por muito tempo e isso me ajudou para que eu pudesse ter o respeito agora como técnico. Isso me acompanha. Os atletas conseguem enxergar. Isso é importante.

ESTADO: Você cita algumas histórias da época de jogador?

Narciso: Procuro não falar muito daquilo que vivi. Eu cito o que está acontecendo no momento. Dependendo do fato do dia a dia, eu até cito as experiências que tive. E sempre espero que eles absorvam e enxerguem o lado bom. Isso tem acontecido com frequência. Eles têm entendido muito bem.

ESTADO: Você passou por um problema grave de saúde no começo de 2000. Como se deu essa volta por cima? Isso te dá força até hoje?

Narciso: Eu tenho uma fé muito grande em Deus. E pensamento muito positivo que tudo que faço vai dar certo. Eu nunca coloco em dúvida aquilo que faço. Isso facilita bastante nas coisas que eu faço no futebol. Faço com que as pessoas acreditem em mim. Naquela época eu precisei muito da minha família, dos meus amigos. Isso fez uma diferença muito grande, pois é um problema que mexe com todo mundo. Eu não sabia o que poderia acontecer comigo, eu poderia morrer. Poderia perder o crescimento dos meus filhos, o convívio com a minha esposa. Mas sempre acreditei que ia dar certo e fique muito feliz quando tudo passou.

ESTADO: Você se sente uma pessoa privilegiada?

Narciso: Sou um cara privilegiado em todos os sentidos. Por ter a família e os amigos que eu tenho. De continuar fazendo meu trabalho. Pela janela que foi aberta para que eu pudesse ser treinador. sSou feliz hoje por estar no Penapolense, com pessoas bem capacitadas.

ESTADO: Como foi essa passagem de jogador para treinador? Você já tinha essa ideia?

Narciso: Sim, sempre gostei de posicionamento tático, de ver jogos na televisão. Observava muito o trabalho do técnico. Sempre tive vontade, mas não esperava que fosse tão cedo. Comecei no sub-20 do Santos. No profissional, treinei o time sub-23 em 2010. Tive uma boa experiência no Sergipe, time que eu torço. Depois trabalhei no Operário de Várzea Grande. Fiquei lá por três meses, até chegar na base do Corinthians. Também estive no sub-20 do Palmeiras.

ESTADO: Há muita diferença no trabalho entre os times sub-20 e profissional?

Narciso: Sim, na base é possível errar um pouco mais. A cobrança é menor. É um trabalho de longo prazo, existe mais tranquilidade. No profissional o resultado precisa ser imediato. Mas eu procuro conduzir isso da mesma maneira sempre.

ESTADO: Qual o segredo do Penapolense no Paulistão?

Narciso: É a união dos jogadores, da comissão técnica, da diretoria, de todos os funcionários, que nos apoiam muito. Em campo, um corre pelo outro. Os jogadores estão buscando algo novo na carreira. Há muita vontade. Eles querem fazer história, como já estão fazendo. A gente quer muito mais.

ESTADO: Com você se sente voltando à Vila Belmiro?

Narciso: Muito feliz pelo meu trabalho e por voltar. Sempre quando isso acontece há boas recordações, É uma casa que tenho um carinho muito grande. Não só pelo clube, mas pelos torcedores. Moro na cidade, conheço muita gente. Isso faz com que eu me sinta muito bem, me sinta em casa. Espero que dessa vez não seja diferente.

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