Angélica Brito
Angélica Brito

Vencer o câncer do filho é o jogo mais importante da vida de Igor

Meia do Moto Club, do Maranhão, luta para salvar a visão do filho Davi Luccas, que perdeu o olho direito

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 07h00

Igor Nascimento, meia do Moto Club-MA, vai ter de esperar um pouco mais para ficar junto com o filho Davi Lucas, que está em São Paulo para tratar um tumor ocular. O jogador lamentou a saudade do filho em uma entrevista na tevê após a derrota para o Palmeiras, sexta-feira passada, mas não ficará em São Paulo depois de ser eliminado na Copa São Paulo de Juniores. 

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O atleta habilidoso de 20 anos teve de voltar para o Maranhão, pois não conseguiu hospedagem na capital paulista. Ele vai se juntar à mulher, Adenilma Ribeiro Brito, e à outra filha, Ágata Sofia. Com isso, a família se dividiu. Ficaram em São Paulo a tia, Angélica, e a tia-avó. 

Igor sente falta do filho por causa da preparação para a Copinha, que exigiu treinamentos e período de concentração. A fase final de treinos coincidiu com o tratamento do câncer do filho, descoberto há seis meses. Depois de uma fase inicial de cuidados em São Luís, a família resolveu viajar a São Paulo em dezembro para tentar salvar a visão de Davi, que já perdeu o olho direito. 

O relato causou grande comoção nas redes sociais. E também mobilização. Torcedores do Palmeiras e moradores de Taubaté, onde a equipe maranhense atuou, fizeram doações em uma conta corrente disponível no Facebook.

Davi se trata no Hospital Santa Marcelina, referência em oncologia infantil. Os parentes foram acolhidos pelo Instituto Luz do Amanhã, que oferece abrigo a famílias de crianças passando por tratamento contra câncer, e também na residência de parentes que se reencontraram após a divulgação do drama. 

Igor estava desolado na manhã de ontem. O Estado falou com o jogador minutos antes de ele iniciar a viajar de ônibus de três dias até a capital maranhense. Será quase um bate-volta. Assim que chegar lá, na quinta-feira, Igor quer dar um jeito de voltar com o restante da família. “Espero que alguém ajude, arrume uma casa para a gente voltar para São Paulo”, disse o jogador. “É muito ruim ficar longe dos filhos, ainda mais do jeito que ele está sofrendo”, diz. 

A cada duas respostas, o jogador agradece as doações. Ele conta que seu último salário foi recebido 13 meses atrás. Treze. Antes da Copinha, a diretoria deu R$ 300 para amortizar a dívida salarial. Os dirigentes do Moto Club não retornaram as ligações para explicar o que houve. “Nós fazemos rifas e recebemos várias doações. O pai da minha mulher também ajuda bastante”, conta o jogador, há três anos no clube. 

Como a fase paulista do tratamento ainda está no início, os próximos passos ainda estão indefinidos. Angélica Ribeiro, que interrompeu sua vida no Maranhão para cuidar do sobrinho, afirma que terá os resultados dos exames no dia 23 de janeiro. “É uma situação difícil, mas temos de lutar”, diz a tia. 

Igor explica que o nome do menino não foi inspirado no filho de Neymar, Davi Lucca. “A gente se inspirou no Davi que enfrentou o Golias e conseguiu vencer. É o que está fazendo agora. O nome se encaixou bem nele”, diz Igor. 

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