Venda de Rogério racha o São Paulo

A possível ida do goleiro Rogério Ceni para o Arsenal rachou o São Paulo. O goleiro confirmou hoje que recebeu uma proposta milionária do clube inglês e estava esperando a resposta da diretoria são-paulina. As inscrições no Campeonato Inglês se encerram em junho e o goleiro quer uma definição rápida da situação. A diretoria, por sua vez, divergiu do próprio Rogério. Voltando atrás no que tinha dito anteriormente, quando admitiu que a oferta era irrecusável, o diretor de Futebol José Dias disse ter desconfiado do papel recebido, por não estar timbrado com o nome do clube inglês. "O Rogério vai permanecer no clube", garantiu. Mas a resposta do jogador foi direta. "A proposta é oficial e sei que o São Paulo vai estudá-la com carinho e seriedade", ressaltou Rogério Ceni, mostrando mau-humor com o impasse. O clube, no entanto, deixou em aberto a saída do goleiro ao renovar com o reserva Roger até julho de 2002. Na Inglaterra, por outro lado, o goleiro titular do Arsenal, Seaman, também renovou seu contrato.Enquanto isso, o clima político no clube continuava tenso com a notícia da saída de seu principal jogador. A oposição nunca esteve tão desgostosa com as atitudes dos atuais dirigentes. A falta de títulos de maior repercussão e as constantes negociações de jogadores para sanear os cofres, segundo opositores, têm colocado em xeque a administração do presidente Paulo Amaral."O São Paulo sempre produziu craques, mas não se consegue fazer isto constantemente se a diretoria vende e não faz reposições", desabafou o conselheiro vitalício Marcelo Portugal Gouveia, ex-diretor de futebol e um dos homens mais influentes da oposição. Gouveia não pára por aí em suas críticas. Sem esconder sua decepção com os rumos do futebol no clube, ele disse que falta competência à atual gestão. Para ele, mesmo admitindo que as dívidas estão todas pagas, daqui a três meses as dificuldades financeiras irão retornar, já que a administração do futebol hoje exige grandes despesas mensais.O conselheiro disse que, a cada mês o déficit são-paulino está entre R$ 2 e R$ 3 milhões. "Mas não é com venda de jogadores que isto se resolve. Desta forma o São Paulo continuará sempre com um time médio, não vejo horizontes promissores", desabafou.Para tentar amenizar as críticas, a diretoria estaria trazendo o atacante Leandro, do Botafogo de Ribeirão Preto. Nomes como Juninho Pernambucano e Leonardo foram ventilados nos bastidores do clube, mas ainda não há nada concretizado.O jogo contra o Corinthians, domingo, em Presidente Prudente será a despedida do time no Campeonato Paulista. O técnico Oswaldo Alvarez terá os desfalques de Belletti, Rogério Pinheiro, Júlio Baptista, Reginaldo Henrique, contundidos. Kaká, suspenso, também não jogará. O lateral-direito Reginaldo Araújo, que atuará como titular em sua cidade Natal, disse que o grupo está motivado para o clássico. "Ainda mais para nos recuperar e entrar bem na Copa do Brasil", observou. Na Copa do Brasil, a equipe enfrenta o Vitória, dia 2, no Morumbi.

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