Felipe Rau/Estadão
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Verde em alta

Palmeiras é o mais embalado dos semifinalistas da Copa do Brasil. Bom para a autoestima

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 04h00

Na crônica de domingo, havia aqui a ressalva – ou alerta – para o Palmeiras no duelo com o Corinthians, pelo Brasileiro. Embora o time de Felipão estivesse em melhor fase, observava que não deveria abstrair do significado do clássico com o tradicional rival. O perigo de surpresa existia, como é comum na história de 100 anos do Dérbi. A turma verde seguiu o roteiro da cautela e se deu bem, com vitória por 1 a 0 e proximidade dos líderes Inter e São Paulo. Ou seja, está na briga pelo principal título nacional.

Esse Palmeiras embalado chega nesta quarta-feira à semifinal da Copa do Brasil, um dos objetivos ousados da temporada (o Paulista bateu na trave, com a derrota na finalíssima, para o Corinthians, e em casa). Em comparação com os outros concorrentes, está em alta. O que, em princípio, não significa grande coisa, mas serve para afagar a autoestima.

Felipão conseguiu, em breve tempo, a proeza de utilizar com eficiência a maior parte do elenco. Tanto que se diz que tem um time A e um time B, de acordo com a característica e etapa da competição a disputar. Verdade, em parte. Com o rodízio constante, fica até difícil determinar qual é, de fato, a equipe titular – e isto significa elogio. Manter a tropa motivada e serena tem sido o mérito do veterano treinador. Não é por acaso que mira o Brasileiro, a Copa e avançou na Libertadores.

Os outros participantes, especialistas em Copa do Brasil, oscilam em algum torneio. O Cruzeiro, também em três frentes, praticamente abriu mão da Série A. Com 33 pontos (16 a menos do que Inter e São Paulo), está em 7.º. O Flamengo saiu da Libertadores e patina no Brasileiro, com 44 pontos (antes do Mundial, chegou a abrir vantagem razoável na ponta). O Corinthians foi eliminado na corrida sul-americana e já jogou a toalha na revalidação do título brasileiro conquistado com louvor em 2017: com 30 pontos, está apenas no meio da tabela e não entusiasma. 

O Palmeiras tem o Cruzeiro atravessado na garganta, em situação semelhante àquela que ocorreu nos anos 90. Ambos decidiram em 1996, com vantagem dos mineiros. Dois anos depois, veio o troco palestrino, no Morumbi. No ano passado, o Cruzeiro eliminou o Palmeiras, com empates por 3 a 3 e 1 a 1. Agora, a tentativa de revide. Na ocasião, Cuca dirigia o Palmeiras, após rápida passagem de Eduardo Baptista. No Cruzeiro, mais estruturado, Mano Menezes era o chefe e chegou à taça.

O Palmeiras de Felipão não tem sido goleador – a média gira em torno de 1,5 gol por jogo. Em contrapartida, o sistema defensivo se tornou seguro: foram dois gols sofridos nas últimas 11 apresentações. Consequência da melhor proteção oferecida pelo meio-campo e também pelo crescimento de desempenho da zaga. Seja com Marcos Rocha, Luan, Gomez e Victor Luiz ou com Mayke, Antônio Carlos, Dracena e Diogo Barbosa, pouco perigo tem rondado a meta de Weverton, o titular do gol. 

Felipe Melo, quando se preocupa só em jogar, faz dobradinha confiável com Bruno Henrique, com Moisés, Lucas Lima e Willian no reforço. Dudu acalmou-se e melhorou. Borja e Deyverson disputam preferência do técnico no comando do ataque. Não se trata de um time formidável; porém, consistente e que faz o torcedor sonhar com conquistas. 

Mais contido anda o corintiano. A série de desmanches no elenco finalmente deu o ar da desgraça – e esta veio na forma de desclassificação na Libertadores e afastamento precoce da briga pelo oitavo Brasileiro. Sem contar a indefinição na comissão técnica. O recém-chegado Jair Ventura não tem muito o que mexer, num grupo reduzido, e provavelmente a estratégia hoje contra o Fla será semelhante à de domingo: fechar-se, para evitar estrago irreparável na volta. Empate ou derrota mínima serão comemorados. Vitória será outro milagre de São Jorge. 

 

 

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