Ricardo Duarte/Internacional
Ricardo Duarte/Internacional

‘Vergonha não é não subir. É o que fazem com o País', diz Guto Ferreira

Técnico do Internacional ainda vê um longo caminho para o time voltar à Série A

Entrevista com

GUTO FERREIRA

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2017 | 07h00

O Internacional entra em campo neste sábado para encarar o Náutico com possibilidade de pular na liderança da Série B. Após um início irregular, o time gaúcho caminha para confirmar o retorno à elite. Por trás da campanha está Guto Ferreira, que superou um momento de crise e fez a equipe jogar futebol de Série A. A missão, garante o treinador ao Estado, ainda está longe do fim. E, mesmo que o Inter não consiga o acesso, não será uma vergonha.

Por que o Inter demorou para engrenar na Série B?

Pela sua história, o Inter tinha de começar patrolando (limpar, nivelar estradas com patrol). Mas o futebol não é assim. O poder de investimento auxilia, mas não efetiva uma equipe. Carece de tempo, trabalho, boas escolhas. Quando assumi, o time vinha de uma série de situações, como remontagem da equipe, excesso de jogos, uma cobrança externa desenfreada. Aos poucos, o time foi se assentando, aprendendo a jogar a competição. 

A torcida fez pressão, até com episódio de depredação no Beira-Rio. Se sentiu ameaçado? 

Sempre me mantive tranquilo. Você faz suas decisões e suas decisões fazem você. Eu já tinha vivenciado momentos como este em outros clubes e tinha acontecido o melhor. Era uma questão de tempo dentro das convicções que tenho do futebol. Ainda não se confirmou correto por completo porque o campeonato não acabou. Vivemos um bom momento, mas ainda tem muita água para passar debaixo da ponte. Temos de seguir fazendo cada vez melhor. É um campeonato muito difícil.

O respaldo da diretoria foi fundamental no momento de crise? 

Eles me fizeram uma pergunta categórica: o que você pensa sobre o trabalho? Disse que continuava acreditando como sempre acreditei e que iria conduzir o Inter à Série A. O que você faz no dia a dia te faz ganhar respaldo. Às vezes, por detalhe, não dá certo. As correções dos detalhes, em algum momento, fazem encaixar. 

O acesso é uma obrigação?

Em se tratando do Inter, com certeza, mas essa nomenclatura que vocês (imprensa) usam é um pouco pesada. No esporte não há obrigação porque você está competindo, são três resultados possíveis. Mas acaba gerando uma obrigatoriedade pela grandeza do clube.  Não subir seria uma vergonha?

Vergonha é você não trabalhar com seriedade, trabalhar com segundas intenções que não condizem com sua profissão, com sua ética. Vergonha é o que os caras estão fazendo com o País. Agora o cara que é trabalhador não precisa se envergonhar nunca. Vou me sentir envergonhando se o meu time for para campo dar o melhor e não conseguir porque ele não quis dar o melhor. Agora se você trabalha de maneira árdua e o resultado não acontece por algum motivo, não existe vergonha nisso.

A sua permanência para 2018 já está acertada?

Primeiro eu preciso realizar o acesso. Depois existe uma renovação automática que, se eles quiserem me trocar, tem de pagar uma multa. Faz parte do jogo. Vou trabalhar para buscar este espaço no mercado em que sempre quis, com resultados expressivos em uma equipe grande na Série A.

Aprova o apelido de ‘Gordiola’, junção de gordo com Guardiola?

É uma situação tranquila. Quem me deu o apelido foi o Flávio Prado (jornalista), quando eu estava na Ponte Preta. Para mim, desmitificou um certo preconceito que existe contra o gordo e me fez aproximar do torcedor de maneira mais simpática. Sem ser pejorativo, não tem problema. Mas não quero ser lembrado pelo apelido. Quero ser lembrado pela qualidade do trabalho que realizar.

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