Toby Melville/Reuters
Toby Melville/Reuters

Versatilidade é o trunfo do meia Willian para cavar espaço na seleção

Jogador do Chelsea pode atuar pelos lados do ataque ou centralizado, como um armador

Almir Leite, enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 07h00

TERESÓPOLIS - Dizer que Willian carimbou seu passaporte para a Copa do Mundo graças à versatilidade não é exagero. Luiz Felipe Scolari, por exemplo, entusiasma-se ao destacar a capacidade do atleta do Chelsea de jogar pelos lados do campo e, principalmente, pelo meio. E o considera um substituto à altura de Oscar na seleção brasileira. 'O Willian, quando joga pela meia, é muito bom jogador. É bem melhor do que na ponta."

Aos 25 anos, Willian se diz pronto para desempenhar na seleção a função que o treinador precisar, graças ao aprendizado adquirido ao longo da carreira. Ele deixou o Corinthians com 20 anos, passou seis temporadas no Shakhtar Donetsk ucraniano e, em seguida, defendeu o Anzhi Makhachkala russo. Nesses times, jogava mais pelo lado esquerdo.

Willian chegou ao Chelsea no segundo semestre do ano passado e inicialmente foi utilizado pela direita. Nos últimos tempos, porém, José Mourinho escalou Willian várias vezes pelo meio, como um armador. E ele se sentiu à vontade nesse papel.

"Evoluí bastante na parte tática, na marcação, com a ida para o Chelsea. O Mourinho gosta muito disso. Eu venho aprimorando a minha técnica, aquilo de que mais gosto de fazer, que é driblar e chutar, dar passes. Mas aprendi muito a defender, a marcar, a ser disciplinado taticamente", disse ao Estado.

É com essa disciplina e essa versatilidade que Willian pretende tornar-se útil à seleção brasileira. Convocado pela primeira vez por Felipão para os amistosos de novembro do ano passado, contra Honduras e Chile, ele entende ter garantido um lugar na Copa naqueles jogos. "Eu estava preparado. Sempre me preparei para poder desempenhar o melhor futebol quando chegasse o momento."

O meia admite que passou a pensar mais fortemente em conquistar um lugar na seleção em agosto passado, quando acertou a transferência para o Chelsea. "Então comecei a ganhar confiança, a imaginar que poderia voltar à seleção", afirmou Willian, que fora convocado algumas vezes por Mano Menezes, mas não era chamado desde outubro de 2011.

Como o futebol inglês tem muito mais visibilidade do que o ucraniano ou o russo, Willian percebeu que a oportunidade se avizinhava e tratou de caprichar. "No Chelsea a vitrine é muito maior, os jogos passam no mundo todo, todos estão vendo, isso com certeza facilitou minha volta à seleção."

Enquanto a chance não chegava, ele aproveitava o fato de ter como companheiros no Chelsea Oscar, Ramires e David Luiz (que vai se transferir para o Paris Saint-Germain) para saber como era o ambiente da seleção. "Eles me diziam que era ótimo. Estavam certos."

Willian prevê uma Copa do Mundo muito dura, pelo alto nível dos adversários, mas defende a tese de que o Brasil precisa, antes de tudo, concentrar-se em seu trabalho. "Numa Copa você não pode escolher adversário. Estamos preparados para enfrentar qualquer seleção."

O jogador define como "difíceis" os adversários na fase inicial – Croácia, México e Camarões –, mas não aponta um que considere mais complicado. "Se o Brasil jogar o que sabe, se juntar a vontade e a raça com a técnica, a habilidade dos jogadores, se fizer aquilo que o Felipão quer, tem tudo para ter sucesso na primeira fase e no restante da Copa também."

Na opinião do meia, as manifestações que deverão ocorrer durante a Copa não terão influência na seleção brasileira. "Acho que nós, jogadores, temos de nos preocupar em fazer o melhor dentro de campo e deixar isso para as outras pessoas resolverem. Claro que isso é ruim que aconteça. É ruim para o nosso país", afirmou. "A gente espera que depois da Copa o Brasil possa melhorar."

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