Vexame transforma Muricy em 'mortal' no time do São Paulo

Treinador perde apoio, vê Aidar e Ataíde começarem a mostrar desconforto e sofre para dar padrão à equipe na temporada

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2014 | 07h00

Acabou o salvo-conduto de Muricy Ramalho no São Paulo. A vexatória eliminação para o Bragantino em casa na Copa do Brasil pôs fim à paciência com o técnico, que em mais de oito meses de trabalho ainda não conseguiu dar um padrão tático ao time e amargou a terceira queda diante de equipes do interior de São Paulo nos últimos meses. O Estado conversou com diretores e conselheiros e todos foram unânimes ao admitir que o técnico precisa fazer a equipe render mais.

O primeiro impacto será sentido nessa sexta pela manhã, quando o vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro enquadrará o grupo e a comissão técnica em uma reunião fechada no CT. O dirigente, homem forte do futebol tricolor, com amplos poderes no departamento, é o mais irritado com a instabilidade da equipe e quer uma reação imediata do grupo já no clássico contra o Palmeiras. Um dos maiores defensores de Muricy, Ataíde começa a demonstrar insatisfação.

Os questionamentos sobre os métodos e as escolhas de Muricy partem também do restante da diretoria, que aumentou o tom das críticas após a queda na Copa do Brasil. Apesar de enxergar culpa também nos jogadores, os aliados do presidente Carlos Miguel Aidar direcionaram os canhões para o treinador. “Estamos quase no fim da temporada e o time joga de qualquer jeito. É uma correria horrorosa, jogam a bola para o Ganso e esperam que ele resolva”, reclamou ao Estado um dos membros da diretoria.

A eliminação para o Bragantino foi o mais recente contratempo do treinador. Antes da queda na Copa do Brasil, o São Paulo já havia caído diante da Ponte Preta na semifinal da Copa Sul-Americana do ano passado (perdeu o jogo de ida no Morumbi por 3 a 1, o que acabou sendo determinante) e, no Paulista deste ano, sucumbiu para a Penapolense nos pênaltis, no Morumbi. Dos vexames, apenas o último foi na atual gestão.

A mudança de cenário mais significativa é que antes tanto Aidar quanto Ataíde defendiam Muricy, mas reservadamente as críticas começam a surgir. Em entrevista coletiva, Aidar voltou a manifestar apoio ao treinador, mas não deixou de dar estocadas no desempenho da equipe. “Segundo minha terapeuta, minha paciência está no fim. Ela me disse: ‘Carlos Miguel, tenha um pouquinho mais de paciência. Em mais duas semanas o time entrosa’. (risos)”

O presidente também exibiu a sua insatisfação quando lhe perguntaram se a contratação de jogadores prestigiados como Kaká e Michel Bastos, apresentado ontem, não aumentaria a pressão sobre a equipe. “Aumenta a obrigação, um time como esse não pode performar mal. Jogadores desse nível devem ter apresentações que agradem à direção e à torcida.”

EXEMPLO ALEMÃO

Apesar dos maus resultados, Aidar diz que mantém a ideia de não demitir Muricy. “A longevidade ajuda a trazer o resultado. Veja o técnico da Alemanha (Joachim Löw), ele perdeu uma Copa em casa e depois deu show no Brasil.”

Quem está próximo ao presidente, porém, pensa diferente. “Carlos Miguel é um homem esperto e saberá não ser refém da palavra. Aquela declaração foi em começo de mandato”, ponderou um dirigente.

A chance de Muricy acalmar os ânimos é bater o Palmeiras no domingo. Mas, mesmo em caso de vitória no clássico, os dias de intocável do treinador estão chegando ao fim.

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