Viana confirma conta do Vasco

O empresário Hélio Viana, sócio do ex-ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, na empresa Pelé Sports & Marketing Ltda., disse hoje que pertence ao Vasco da Gama a conta do Liberal Bank, localizado no paraíso fiscal de Nassau, nas Bahamas, que em 1998 recebeu seis depósitos da Vasco da Gama Licenciamentos (VGL), somando cerca de R$16 milhões. Ele disse na CPI da CBF/Nike, onde depôs durante seis horas, que a informação lhe foi prestada por "altos executivos" da VGL. Eles o teriam consultado sobre essas transferências porque estariam preocupados sobre os seus efeitos legais. Viana disse ter sugerido a eles que agissem para que o Vasco incluísse esses recursos na sua contabilidade, mas que não sabe se isso realmente ocorreu.A informação se choca com as declarações do presidente do clube, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), de que o Vasco não possui conta no exterior. Seu antecessor no cargo, Antonio Soares Calçada, e diretores do clube também afirmaram o mesmo no depoimentos que prestaram à CPI do Futebol, no Senado. O empresário recusou-se a dizer o nome desses executivos, alegando "segredo profissional", mas manteve sua declaração. "Confirmo o que eu disse sobre os depósitos na conta do Vasco da Gama, de R$ 16 milhões", afirmou. Na parte em que a sessão se tornou secreta, ele pediu aos deputados um prazo de 48 horas para decidir se revela ou não esses nomes. O presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse que se ele continuar omitindo a informação, será indiciado por resistência e desobediência à comissão.Hélio Viana deu a declaração em meio a uma troca de insultos de Eurico, que acusou a ele e ao ex-ministro Pelé de manter uma contabilidade paralela de suas empresas e de promoverem evasão fiscal por meio da Pelé Dorna Sports & Marketing Ltda.Para contestar a informação de que a conta seria do Vasco, o deputado disse que ela teria partido de Luis Barbosa, do Bank of America, que freqüentaria a casa de Viana. Mas mudou de idéia, depois de ter recebido um telefonema de Barbosa negando o fato. Eurico disse que o dinheiro foi feito pelo Bank of America para outro banco do grupo e que as remessas, feitas pelo Banco Central por intermédido de contas CC-5, serviriam para pagar compromissos do Vasco no exterior.Disse ainda que o dinheiro constaria na contabilidade do Vasco, ao contrário do que seus diretores informaram à CPI do Senado. O que o deputado não explicou é o porque do recado, descoberto pelos senadores, em que aparentemente alguém do Vasco pede que os depósitos sejam feitos "a nossos favor".Sigilo - Hélio Viana deixou sem respostas muitas perguntas que comprometem a ele e a seu sócio Pelé. Ele não soube explicar, por exemplo, porque movimentou no exterior, entre 1994 e 1996, perto de US$ 400 milhões da conta da Pelé Dorna Sports Marketing e da sua conta própria. Viana disse que Pelé nada tem a ver com essa empresa, onde ele atuaria como procurador. Mas o deputado Jurandil Juarez mostrou documentos em que Viana assinava como vice-presidente. "O senhor acha que eu sou palhaço?", questionou Jurandil, mostrando que não aceitava a resposta. A pedido do deputado Doutor Rosinha (PT-PR), foram aprovados requerimentos que quebram o sigilo bancário e fiscal de nove empresas de sua propriedade, inclusive da Pélé Sports, que mantém em sociedade com Pelé.O empresário também deixou sem resposta as discrepância existente entre o valor de seu rendimento mensal declarado ao Imposto de Renda, de R$ 6, 6 mil, e o alto padrão de vida que mantém. Ele se limitou a dizer que foi investigado e que está em dias com a Receita. Hélio Viana irritou os deputados desde o começo do depoimento, ao se credenciar como uma das "correntes pensantes do futebol brasileiro". Ele se referia a ele mesmo como "nós", situando-se como autoridade nos acertos feitos entre o governo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Pelé.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.