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Vibração e comodismo

Palmeiras explora fraqueza do Vasco e goleia. O Corinthians esnoba o Coritiba e só empata

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 03h00

Palmeiras e Corinthians tiveram reações opostas em situações semelhantes, em claro indício da estratégia traçada pelos respectivos treinadores para alcançar objetivos. Ambos entraram em campo, na rodada de ontem, com pretensão de atingir o topo da tabela, ou ao menos estabelecer-se no G4. A dupla saiu para enfrentar adversários na zona de rebaixamento – e daí apareceram as diferenças.

Os palmeirenses aproveitaram-se da fragilidade do Vasco, foram para cima, abriram o placar com poucos minutos de bola a rolar em São Januário, em gol de Leandro Pereira. Em vez de sossegarem o facho e ficarem à espera do desespero rival, continuaram a martelar, como um boxeador pronto a derrubar o outro por nocaute. E assim foi, com gols de Dudu e Victor Ramos, para desacorçoar antes do intervalo e não correr riscos.

O Palmeiras manteve a toada e aumentou para quatro, de novo com Leandro Pereira. Esbanjou fôlego para atormentar o Vasco, já com medo do fantasma de outra Série B. Teve o gol de Riascos, mais por cortesia do visitante. Surra de 4 a 1, simples e prática e o bote no G4, com o terceiro lugar.

O Corinthians notou de cara a ansiedade do Coritiba, no duelo no Couto Pereira, e não perdeu tempo em colocar em ação a estratégia que lhe é costumeira: troca de passes, alguns lançamentos longos e jogadas de bola parada. Com tal receita, ficou em vantagem, minutos antes da pausa, com Felipe a desviar cobrança de escanteio.

Pois bem, o que fez em seguida? Acelerou, abafou? Nada disso. Pisou no freio e largou para os ponteiros do relógio a tarefa de garantir mais três pontos e grudar no Atlético no primeiro lugar. A rapaziada de Tite se contentou com a lengalenga de tocar pra lá e pra cá, de aumentar a estatística de posse de bola, e incomodou Wilson só numa ocasião, em cabeçada de Edu Dracena que morreu em defesa extraordinária.

No mais, não considerou necessário desgastar-se; não valia a pena, já que a tática da “goleada por 1 a 0” o levou à parte de cima da classificação. Relaxou e levou o troco, tão comum no futebol: o gol de empate aos 46 minutos. Entregou dois pontos de mão beijada, sem nenhuma explicação convincente.

O Corinthians se mantém à frente do Palmeiras (30 a 28), porém com postura acomodada diante da vibração do rival. Em Curitiba, sobretudo no segundo tempo, Elias, Jadson, Bruno Henrique, Renato Augusto giravam, giravam, sem fazer a bola chegar a Malcom e Vagner Love. Tanto que os dois foram substituídos – e Love saiu de campo aborrecido com Tite, com razão, porque deu a impressão de que se escondeu. Ele ficou abandonado!

O meio-campo palestrino teve atitude oposta. Gabriel, Arouca, Robinho, Dudu não só truncaram a movimentação do Vasco, como criaram, foram pra cima, encheram Rafael Marques e Leandro Pereira de bolas boas. Para aumentar a blitz, Lucas e Egídio se apresentavam, nas laterais, e os zagueiros batiam ponto em escanteios.

O Palmeiras de Marcelo Oliveira finalmente disse “presente!” na corrida pelo título, com seis vitórias nas últimas sete rodadas. O Corinthians tem méritos; porém, a avareza ainda pode custar-lhe caro.

SÃO PAULO SOBE

Ainda paira interrogação em torno do potencial da equipe de Juan Carlos Osorio. A esfinge tricolor ontem apresentou mudanças na escalação, teve exibição bem comum. No entanto, foi inteligente, ao bater o mais que instável Cruzeiro por 1 a 0, gol de Pato, em alta com o treinador colombiano. Mesmo com oscilações, ronda há bom tempo o bloco principal e assim compensa cochilos. Por prudência, bom segurar elogios, pois nunca se sabe como será na próxima.

PEIXE VIVO

Era proibido dar moleza diante do Joinville, lanterna da Série A. E o Santos não rasgou o script; ao contrário, o executou muito bem, com dois gols de Gabriel. Mais agradável foi notar a melhora na autoestima e no desempenho. 

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