Vice da CBF coloca a culpa nos jogadores

O técnico Ricardo Gomes assumiu a responsabilidade pelo fracasso da Seleção no Pré-Olímpico, mas aos olhos do vice-presidente da CBF a culpa pela eliminação deve ser creditada aos jogadores. Nabi Abi Chedid chegou ao Chile antes do jogo da repescagem contra a Colômbia, passou a última semana no hotel da delegação e foi no saguão, ainda na noite de domingo, que deixou clara sua insatisfação com o rendimento da equipe. "Este torneio foi bom para mostrar quem tem espírito de Seleção e quem não tem. A amarelinha pesa." Nabi ficou revoltado com a apatia que o time mostrou no jogo decisivo com o Paraguai, principalmente no primeiro tempo. Para ele, faltou empenho aos jogadores - mesma crítica que o presidente Ricardo Teixeira havia feito depois do empate com o Chile na última rodada da primeira fase. "Não é possível que a gente não tenha conseguido fazer um golzinho num time fraco como é o Paraguai. Eu olhava para o campo e não via perspectiva de o time reagir. Foi uma decepção muito grande, um resultado assim destrói a gente." Branco, chefe da delegação, concordou com Nabi. "Se o time tivesse perdido lutando, seria diferente. Perder do jeito que nós perdemos, numa situação em que tínhamos dois resultados que valiam a vaga, dói demais." O vice-presidente também criticou a falta de controle emocional dos garotos. Em sua opinião, os cartões que Maicon e Fábio Rochemback receberam contra o Chile custaram caro ao time na partida de domingo. E também puxou a orelha de Diego, que levou um amarelo por reclamação no primeiro tempo do jogo contra o Paraguai - seu quarto cartão no torneio. "O Diego ficou pendurado e passou a evitar os choques com medo de ser expulso." Em nenhum momento ele fez restrições ao trabalho de Ricardo Gomes.Pelo contrário, elogiou muito o treinador e seus companheiros de comissão técnica. "O Ricardo fez tudo o que podia. E a comissão também, todos foram de uma dedicação exemplar. O trabalho do departamento médico e do fisioterapeuta (Odir Carmo) foi excelente. Depois do jogo com o Chile, quatro jogadores estavam machucados. Eles começaram o tratamento assim que chegaram ao hotel e ficaram até às 5h, quando muitos deixariam os jogadores dormir e só começariam o tratamento quando eles acordassem. O resultado é que os quatro entraram em campo contra o Paraguai. Sem falar na recuperação do Elano na primeira fase." Segundo Nabi, nem o paraguaio Nicolás Leoz, que é o presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), gostou do resultado do jogo. "Ele me disse que preferia que o Brasil se classificasse, porque a chance de medalha para a América do Sul seria maior. O duro é saber que estamos fora e o Paraguai não vai fazer nada lá." Em seu festival de lamentações, também sobrou munição para a Fifa e a Conmebol. Ele reclamou que a entidade presidida por Joseph Blatter fez o jogo dos clubes ao não obrigá-los a liberar os jogadores para a competição. "É uma incoerência a Fifa considerar a Olimpíada um torneio oficial e não fazer o mesmo em relação ao Pré-Olímpico." O problema é que o calendário da Fifa prevê apenas uma competição oficial por continente para este ano e a Conmebol realizará também a Copa América em junho, no Peru. Por isso, a entidade sul-americana comunicou à Fifa que não exigiria a liberação dos jogadores para o Pré-Olímpico mas não abriria mão deles na Copa América. "A Conmebol faz isso porque quer o Brasil com o time completo na Copa América. Eles sabem que se o Brasil não for com suas estrelas o torneio será um fracasso comercial."

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2004 | 15h04

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