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Vice da Fifa paga R$ 32 milhões para aguardar processo em liberdade

Jeff Webb é acusado pela Justiça dos Estados Unidos de corrupção

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 18h24

O ex-vice-presidente da Fifa pagou uma fiança de R$ 32 milhões para aguardar seu processo em liberdade, nos EUA. Jeff Webb, acusado pela Justiça dos EUA de corrupção, se declarou neste sábado "não culpado" diante de um corte de Nova York. Num processo que promete levar meses, Webb aguardará uma decisão em prisão domiciliar. 

Mas, para isso, precisou depositar US$ 10 milhões, num pacote que incluiu bens de seus familiares, propriedades, carros e até ativos financeiros. 

O dirigente foi o primeiro a ser extraditado da Suíça para os EUA. Mas, no caso de Webb, a viagem ocorreu de forma voluntária. Ele foi uma das sete pessoas presas no dia 27 de maio, em Zurique. A decisão de ser extraditado pode ser interpretada como um sinal do dirigente de que ele estaria disposto a colaborar e mostrar os caminhos internos da Fifa, em troca de uma redução de sua pena.

Por anos, Webb criou em torno de si uma aura de "Mr. Clean", ao ponto de apenas aceitar cortar o cabelo em um determinado local que o cobrava apenas US$ 10,00. 

Se oficialmente ele havia sido eleito para a Concacaf para substituir uma era de corrupção na entidade e limpar o local, a realidade é que Webb apenas perpetuou o sistema, inclusive pedindo mais dinheiro. Ele ficaria com US$ 3 milhões e, em troca, assinaria um contrato com a empresa brasileira Traffic para dar os direitos exclusivos para que explorasse os direitos de TV dos jogos das Eliminatórias do Caribe para as Copas do Mundo de 2018 e 2022. O dinheiro era parte de um pacote de US$ 23 milhões em subornos que o empresário José Hawilla pagaria para a União de Futebol do Caribe. 

Outros US$ 2 milhões seriam dados para Webb para os contratos da Concacaf para a realização da Golden Cup a partir de 2013 e para a Liga dos Campeões da região. " Praticamente imediatamente depois de assumir suas funções, Webb retomou o envolvimento com os esquemas criminosos ", indicou o indiciamento do dirigente. 

O que surpreenderia os investigadores americanos é que, em 2012, parte do dinheiro foi transferido para Webb usando uma empresa que estava construindo uma piscina em sua casa de Loganville, nos EUA. Outra parcela caiu na conta de um assessor e amigo de Webb, Costas Takkas. O laranja, porém, transferiria os recursos depois para a conta do dirigente esportivo. 

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