Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Vice de futebol cobra que Osorio cumpra com a palavra no São Paulo

Ataíde Gil Guerreiro admite que técnico está brigado com a diretoria

Estadão Conteúdo

28 de setembro de 2015 | 08h16

O vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, demonstrou descontentamento com o técnico Juan Carlos Osorio. Após o empate do time em 1 a 1 com o Palmeiras, no Morumbi, o dirigente chamou o resultado de catastrófico e disse que ficaria muito decepcionado caso o treinador venha a mudar de ideia e aceite a proposta para deixar o clube e dirigir a seleção mexicana.

Ataíde disse que na sexta-feira conversou com o técnico e perguntou se ele poderia sair. "Ele me disse que não tinha proposta. E que mesmo que recebesse alguma coisa, não sairia do São Paulo até o final do ano. Seria o fim da falta de palavra se ele estiver me enganando em relação a isso", comentou o dirigente em entrevista por telefone à rádio Jovem Pan. "Queremos que ele continue, ele sabe disso. Não consigo acreditar que um homem com o caráter dele, com a integridade dele, vai nos enganar dessa maneira".

O México procura um novo técnico e tem Osorio como um dos candidatos. O colombiano admitiu ter interesse em dirigir uma seleção em uma Copa do Mundo, mas segundo Ataíde, disse que não pretendia deixar o São Paulo até o fim do ano mesmo se tivesse recebido alguma proposta concreta. Osorio chegou ao clube em junho e tem contrato válido até dezembro de 2017.

A relação entre o treinador e a cúpula do clube ficou estremecida na última sexta-feira, quando em entrevista coletiva o colombiano disse que não confiava na diretoria, pois havia promovido um enfraquecimento do elenco com a saída de jogadores. A repercussão negativa da fala de Osorio levou Ataíde a procurá-lo para uma conversa.

"Não aceito indisciplina. Se sou gestor e falam que não confiam em mim, imediatamente eu coloco na rua. Ele me procurou na sexta-feira à tarde, pouco tempo após a coletiva e disse que não se expôs corretamente", explicou.

Ataíde disse ter um bom relacionamento com o técnico, ao contrário de outros membros da diretoria. "Ele só não tem problema comigo. Com todo o resto, ele está brigado", contou.

De acordo com o dirigente, a queixa de Osorio sobre a desconfiança recaiu sobre a falta de esclarecimento dada a ele sobre a necessidade de negociar atletas para resolver as finanças do São Paulo.

Na negociação com o técnico, ainda na Colômbia, a diretoria falou que venderia apenas Rodrigo Caio, mas como a ida dele ao futebol espanhol não se concretizou, passou a ser necessário transferir outros atletas para pagar ao elenco os direitos de imagem atrasados. O débito chegou a quatro meses.

"O Paulo Miranda era reserva e o Boschilia também era reserva. O Osorio me dizia que o Toloi fazia boas partidas e entregava outras. O Jonathan Cafu foi negociado a pedido do treinador", disse Ataíde. O dirigente explicou que a saída de Denilson se deu pelo alto salário dele, cerca de R$ 800 mil, e enquanto Souza tinha o interesse de se transferir.

Ataíde criticou o empate do time por 1 a 1 contra o Palmeiras, placar que chamou de catastrófico e ruim para o ambiente da diretoria para a reunião da noite desta segunda-feira no Conselho Deliberativo. "Queria ir para a reunião do Conselho Deliberativo no G4. Isso já faz com que eu entre na reunião do Conselho perdendo. O São Paulo não pode ficar longe do G4, e estamos fora por causa de pontos bestas que perdemos", lamentou.

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