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Mauro Cezar Pereira
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Vice vale mais do que título

Equipe que ficar em segundo na Copa do Brasil deverá faturar mais que o campeão do Brasileirão

O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2018 | 04h00

Derrotado pelo Atlético, o Corinthians perdeu a liderança da Série A e terá mais 13 jogos no mês e meio que nos separa da Copa do Mundo: nove pelo Brasileiro, três da Libertadores e um na Copa do Brasil. Entrará em campo uma vez a cada 3,3 dias, com uma sequência de quatro compromissos em São Paulo, seguida de viagens à Venezuela, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Bahia.

Já o Palmeiras, que não saiu do zero com a Chapecoense, fará nove na Série A, dois pela Libertadores e mais um par de pelejas pela Copa do Brasil até o Mundial da Rússia. Uma a cada 3,2 dias, com quatro compromissos como visitante, no Peru, em Curitiba, Belo Horizonte e Itaquera. Só voltará para casa em 17 dias. Depois, mais viagens: novamente à capital mineira, Porto Alegre e Fortaleza.

+ Tabela do Campeonato Brasileiro

+ Tabela da Copa do Brasil

+ Tabela da Copa Libertadores

Nove partidas pelo nacional, dois na Copa do Brasil e a mesma quantidade pela Libertadores. São os 13 jogos do Santos até a bola rolar em território russo, mesmo com o adiamento do encontro com o Vasco para depois do Mundial. Em 44 dias os santistas cumprirão tal maratona, em campo a cada 3,4, indo a Montevidéu, Porto Alegre, Lucas de Rio Verde, Curitiba, Itaquera e Rio de Janeiro.

Na visita ao Fluminense, o São Paulo empatou mais uma. Eliminado pelo Atlético-PR na Copa do Brasil, terá calendário mais suave no período, com uma dezena de compromissos. Até o Mundial começar, jogará a cada quatro dias, 10 vezes pela Série A e uma valendo a vida na Copa Sul-Americana (partida contra o Rosario Central, no Morumbi – o primeiro jogo terminou empatado em 0 a 0), com viagens a Salvador, Belo Horizonte e Curitiba.

Até a Copa do Mundo é agenda lotada. E quem está vivo em competição internacional sem ter sido despachado do mata-mata nacional sofrerá mais. Situação comum, mas contraditória em nosso futebol, no qual quem cai num torneio importante pode colher os frutos de uma rotina mais leve com algum tempo para ajustar a equipe.

Mas obviamente nenhum dos rivais trocaria de lugar com o São Paulo, um dos grandes já eliminados da Copa do Brasil, como Botafogo, Internacional e Fluminense. Ou seja, reclama-se do calendário e ao mesmo tempo se quer disputar tudo que for possível. Nenhum dirigente assume uma meta número 1 em meio à dura temporada brasileira de bola rolando.

Não se trata de jogar para perder, mas encarar uma eliminação como algo que pode acontecer em benefício de outro certame, o prioritário. Isso acontece na Europa, especialmente nas copas, com equipes repletas de suplentes, enquanto ligas e torneios de âmbito continental têm maior atenção.

Aqui tal possibilidade desapareceu com a CBF elevando a premiação da Copa do Brasil a R$ 278.290.000. Por erguer o troféu, uma agremiação embolsará R$ 50 milhões, 733,33% a mais em relação à última edição. O vice levará R$ 20 milhões por ter alcançado o último estágio do mata-mata, mesmo perdendo o duelo derradeiro.

Se o campeão disputar a competição desde sua fase inicial, a quantidade de prêmios somará mais de R$ 67 milhões. O vencedor da Libertadores poderá faturar pouco mais da metade, enquanto o campeão da Série A deve ficar com os mesmos R$ 18 milhões que o Corinthians levou em 2017 por ter sido o melhor em 38 rodadas. Menos do que o vice da Copa do Brasil embolsará por fazer dois jogos e ser derrotado.

Uma clara distorção, com uma competição mais longa, pesada, desafiadora e relevante valendo menos em premiação. Com isso, seguirão as queixas contra um calendário no qual clubes não abrem mão de nada, tentam atuar em todas as frentes. Querem abraçar o mundo com as pernas que lhes faltam na maioria das vezes. 

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