Arquivo/AE - 05/12/1966
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Vicente Feola, treinador bonachão, competente e vencedor

Primeiro comandante a conquistar uma Copa com a seleção brasileira completaria 100 anos neste domingo

Rafael Vergueiro, estadao.com.br

31 Outubro 2009 | 22h15

Um dos maiores treinadores da história do futebol, Vicente Ítalo Feola completaria 100 anos de idade neste domingo se estivesse vivo. Ele foi o comandante da seleção brasileira na conquista da primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia. Ele morreu em 6 de novembro de 1975, aos 65 anos, vítima de insuficiência cardio-renal.

 

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Os torcedores hoje acostumados aos berros na beira do campo de Muricy Ramalho, Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari, Dunga, entre outros, certamente iriam ficar irritados com o estilo bonachão do ex-técnico brasileiro.

 

São-paulino de coração, Feola era a tranquilidade em pessoa. Alguns críticos até acusavam o comandante de dormir no banco de reservas durante as partidas de sua equipe. "Era um homem excepcionalmente calmo e sereno, mas também muito enérgico e que não se perturbava diante dos maiores problemas", declarou o ex-presidente do São Paulo Manuel Raimundo Paes de Almeida, em entrevista a O Estado de S. Paulo na ocasião da morte do treinador.

 

Vicente Feola era mais admirado fora do que dentro do Brasil. No exterior, foi visto como um dos grandes destaques do título de 1958. Aqui, foi acusado de ser o principal responsável pela campanha desastrosa na Copa de 1966, na Inglaterra, quando a seleção entrou em campo como bicampeã do mundo e não passou da primeira fase. Após o término do Mundial, preferiu até ficar mais uns dias na Europa para fugir da pressão. Alguns torcedores revoltados até jogaram pedras na casa do técnico em São Paulo depois da eliminação brasileira.

 

Péssimo jogador de futebol, como ele mesmo chegou a reconhecer em várias ocasiões, Feola iniciou a carreira de treinador aos 25 anos, no Sírio. Em 1937 foi registrado como funcionário do São Paulo, onde permaneceu até a morte. Comandou o time em várias ocasiões até o fim da década de 40. Foi campeão paulista de 1948 e 1949.

 

"Foi o Feola quem insistiu para que o São Paulo me contratasse ao Flamengo em 1942. E ele também me convenceu a não encerrar a carreira em 1947... Acabei cedendo e fui campeão com o São Paulo, em 1948 e 1949", disse o craque Leônidas da Silva, também quando o técnico morreu.

 

FICHA TÉCNICA DE FEOLA                                      
Nome: Vicente Ítalo Feola

Nascimento: 01/11/1909, em São Paulo

Morte: 06/11/1975, em São Paulo

Títulos: Copa do Mundo (1958) na Suécia, Taça Oswaldo Cruz (1958), Taça Bernardo O'Higgins (1959), Copa Roca (1960), Taça do Atlântico (1960), com a seleção brasileira, e Campeonatos Paulista de 1948 e 1949, com o São Paulo

Times que treinou: Sírio, de 1935 a 1937, São Paulo, várias vezes entre 1937 e 1959, seleção brasileira, algumas vezes de 1958 a 1966, e Boca Juniors (ARG), antes do Mundial de 1966

Detestado pelos críticos e boa parte dos torcedores, Feola era adorado pelos jogadores, que se sentiam muito à vontade com o estilo 'paizão' do comandante. Para Nilton Santos, titular da lateral-esquerda da seleção em 1958, Feola era "um verdadeir o mestre".

 

Na Copa da Suécia, Vicente Feola ficou conhecido por introduzir o esquema 4-2-4, que tantas alegrias deu ao futebol brasileiro. Após certa resistência, atendeu um pedido dos jogadores e colocou Pelé e Garrincha na equipe titular, que brilharam e garantiram o triunfo brasileiro.

 

Além de 1966, outra decepção na carreira do técnico foi a perda do título em 1950, na Copa do Mundo realizada no Brasil, quando era auxiliar de Flávio Costa.

 

Feola morreu sem ter sido reconhecido como um grande treinador, mas seu clube de coração, o São Paulo, não deixou de reconhecer sua importância. Na noite de 6 de novembro de 1975, após a morte do comandante, o time entrou de luto no Morumbi para enfrentar o Tiradentes pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo com a vitória por 2 a 0, muitos jogadores próximos a Feola choraram no vestiário. No dia seguinte, o enterro aconteceu no cemitério do Araçá, após um cortejo que passou até pela avenida Paulista.

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