Victor Andrade e Neilton deixam rótulo de 'novo Neymar' e miram Olimpíada

Promessas têm carreiras diferentes e buscam consolidação

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 07h00

As frases "Temos o novo Zico", "Surge um novo Ronaldinho" e "França encontra o novo Zidane" já foram repetidas diversas vezes sempre que aparece um grande jogador da posição. Foi nesse cenário de superexposição e badalação que Neilton e Victor Andrade ganharam espaço na base do Santos. Desde cedo, a dupla teve a ingrata missão de ser o 'novo Neymar' que, na época, ainda estava no clube e nem sequer tinha completado 20 anos.

Içados ao time principal sob enorme expectativa, os atacantes eram o centro das atenções, não pelo que já tinham feito, mas pelo que o 'velho Neymar' apresentava. "De certa forma nos prejudicou, pois a cobrança era muito grande. Mas serviu também de aprendizado e hoje, com humildade, já consigo mostrar que sou o Neilton e não o novo Neymar", conta o atacante, que defende o Botafogo desde o meio de 2015.

Jogando pelo Vitória de Guimarães, de Portugal, Victor Andrade topmou outro caminho, para fora do País. Ele confirma que as comparações atrapalharam no começo. "Por eu ser muito jovem, talvez a proximidade com ele me fez pensar que já tinha chegado no futebol a um patamar que ainda não tinha atingido. Considero uma honra em algum momento ser comparado com um jogador do nível do Neymar, apesar de nunca ter me enxergado desta forma. O maior ganho disso tudo é que nos tornamos amigos e mantemos contato constante até hoje".

 

"Todo dia eu bato nele para que tenha humildade, falo essa palavra para ele. Mas ainda vai demorar muito para ele ser um jogador. Ele faz coisas boas, mas faz coisas de jogador iniciante também". A frase dura é de Muricy Ramalho, quando era técnico do Santos, ao comentar sobre Victor Andrade após um clássico com o Corinthians em 2012. Quase dois anos após deixar a Vila rumo à Europa, o jogador reconhece a importância de seu antigo treinador. "Foi ele que me subiu ao profissional. Entendo a preocupação dele, mas creio também que, em alguns momentos, acabou me prejudicando um pouco com algumas declarações. Mas não guardo mágoa. Prefiro lembrar que tive a oportunidade de trabalhar com o grande profissional que o Muricy é."

 

Sabendo que as comparações serão inevitáveis com todos os jovens que surgirem no Santos, Neilton deixa um conselho às próximas gerações. "Não se deixem levar com essas comparações, procurem trabalhar bastante para mostrar a todos suas qualidades e, aos poucos, conquistarem seus espaços por merecimento próprio."

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22 de março de 2016 | 07h00

Neilton demorou um pouco para encontrar seu futebol após deixar o Santos. Por problemas contratuais, foram 10 meses de espera de sua última partida oficial pela equipe paulista até a estreia pelo Cruzeiro. Campeão brasileiro em 2014, o habilidoso atacante não teve espaço na equipe de Marcelo Oliveira, mas destaca o aprendizado, mesmo sendo um suplente. "Foi muito importante! Aquele time era fera demais e pude aprender bastante com cada um". Sua passagem por Minas Gerais teve modestos 12 jogos e apenas um gol.

Emprestado ao Botafogo no meio de 2015 para ganhar experiência, Neilton enfim pode ter o protagonismo que dele era esperado quando surgiu na Copa São Paulo de 2013. Pela equipe da estrela solitária foram 18 jogos, seis gols e o título da Série B de 2015. "Sempre busco fazer o melhor para que as coisas aconteçam o quanto antes, porém, no meu caso, fiquei surpreso com a identificação que foi criada. Eu particularmente me identifiquei bastante com o clube e principalmente com a torcida. Sou muito grato a eles e dentro de campo espero retribuir."

O sucesso no Rio de Janeiro, palco dos Jogos Olímpicos de 2016, faz Neilton sonhar com a oportunidade de disputar a competição. "Além de ser um objetivo, é um grande sonho no qual estou trabalhando bastante para realizar. Porém, a prioridade sempre será fazer um bom papel aqui no Botafogo e se for para representar o Brasil na Olimpíada, com certeza será por consequências do trabalho."

 

OUTRO CAMINHO

Victor Andrade fez diferente de Neilton quando seu contrato com o Santos acabou, em 2014, e decidiu tentar a sorte na Europa. Na chegada ao Benfica, foi bastante orientado pela legião de brasileiros do clube, como Julio CEsar, Luisão e Jonas, e teve de esperar quase um ano para ser convocado da equipe B para defender o time principal em uma partida oficial. "O futebol aqui é muito diferente e no começo você sente um pouco a cultura tática. Mas você tem de se adaptar ao estilo de jogo dos portugueses e dos estrangeiros. É outro mundo, outra cabeça. Você tem de amadurecer rápido. Sinto que amadureci, me adaptei bem e consegui jogar até a Liga dos Campeões", conta. 

 

Estar perto dos familiares foi importante para a adaptação ao novo estilo de vida, explica o jogador de 20 anos. "A minha família veio comigo desde o início e está sempre por perto, o que me deixa muito feliz". Mesmo feliz com a vida em Portugal, Victor Andrade não esconde o que mais sente falta do Brasil: "o verão".

 

Ainda em desenvolvimento, o atacante foi emprestado no início de janeiro ao Vitória de Guimarães para jogar com mais regularidade. Visto como uma das grandes revelações do futebol atual no velho continente, o brasileiro teve seu nome especulado para reforçar o Manchester City na última janela de transferências, mas ele diz que este é um objetivo para "daqui três ou quatro anos". O foco de Victor Andrade está na Olimpíada, onde poderia reencontrar Neilton e Neymar. "A Olimpíada é o sonho de todo jogador, como qualquer competição pela seleção. Mas ficaria muito feliz se isso acontecesse agora. Se não for, poderá ser na próxima".

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