Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Vila Madalena quer Copa do Mundo com festa e sem tumulto

Para ver os jogos, torcedor terá de entrar nos bares, único lugar onde as TVs poderão estar ligadas

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 05h00

Moradores e donos de bares da Vila Madalena, na zona oeste da capital, querem uma Copa tranquila. Após uma série de reuniões, eles decidiram que vão tentar fazer com que o público fique dentro dos estabelecimentos e evitar a aglomeração de pessoas nas ruas do bairro durante os jogos. A principal medida será não deixar televisores e projetores ligados nas áreas externas dos bares.

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Proprietário dos bares Salve Jorge, Posto 6 e Patriarca, Flavius Cinira diz que o objetivo é deixar a região mais organizada, com a possibilidade de circulação tanto dos clientes quanto dos moradores. "Queremos evitar o máximo possível o tumulto para não ter a aglomeração da Copa passada, que foi diferente, porque foi no Brasil. Vamos tentar algo mais organizado e que não gere tanto lixo e (não cause) tanto barulho."

A decoração e o clima festivo não serão deixados de lado, mas, para ver os jogos, será necessário entrar nos bares. Cinira diz que a edição passada da Copa trouxe prejuízos para os proprietários dos bares do bairro. "As pessoas iam com as bebidas, fazendo uma festa que não tinha nada a ver. As ruas estavam cheias e os bares, vazios."

O empresário diz que o quadro se agravava com a presença de ambulantes não credenciados pela Prefeitura vendendo bebidas na região. Segundo ele, a situação tem melhorado com ações da Prefeitura Regional de Pinheiros e espera que a região passe pelo evento sem transtornos. "Queremos uma Copa com movimento, mas tranquila."

 

Arnaldo Altman, empresário e dono dos bares Filial, Genésio e Genial, já trabalhava com o esquema "porta para dentro", com o atendimento focado na área interna dos estabelecimentos, e apoiou a decisão dos empresários da Vila Madalena.

Ele diz que a proposta é manter o perfil boêmio da região, mas permitindo a circulação de moradores e sem as confusões de 2014, quando a dispersão do público chegou a ser feita com bombas de efeito moral.

Publicitário e presidente da Sociedade Amigos da Vila Madalena (Savima), Cassio Calazans explica que as discussões também levaram em consideração as necessidades dos moradores. "Nossa ideia é tirar a Vila Madalena do foco, porque aqui é um bairro predominantemente residencial e, quando tem excesso de pessoas, prejudica muita gente. Temos um comércio bacana e as pessoas têm de vir mesmo para cá, mas queremos que elas fiquem nos bares, galerias, cafés e que o trânsito flua normalmente."

A Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais informou que não há nenhum evento oficial da Copa na região, mas que haverá reforço nas equipes da Prefeitura Regional de Pinheiros, "responsáveis pela fiscalização de bares, restaurantes e comércio ilegal". Segundo a CET, alterações temporárias nas regras de estacionamento serão implantadas no bairro. 

 

 

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