Alastair Grant/AP
Alastair Grant/AP

Vilão na Euro de 1996, Southgate quer levar Inglaterra à semifinal

Treinador trouxe o aprendizado para 2018 e espera superar Suécia neste sábado, em Samara

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2018 | 00h00

Após a vitória nos pênaltis sobre a Colômbia, o técnico Gareth Southgate foi procurar jogadores colombianos para consolá-los. Abraçou Falcao García, Ospina e Uribe. Por causa desse gesto, o treinador causou uma comoção na Inglaterra e entra mais forte e respeitado para a decisão deste sábado contra a Suécia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, em Samara, às 11h (Brasília). Não foi só pelo espírito esportivo, mas por um acerto de contas com o passado que o gesto representou. 

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Em 1996, o mesmo Southgate era jogador da Inglaterra. Foi ele quem desperdiçou uma cobrança decisiva de pênaltis contra a Alemanha, pela semifinal da Eurocopa. O fracasso foi tão estrondoso que até uma música foi criada pela torcida para ridicularizá-lo. Quando ele foi consolar os rivais derrotados, duas décadas depois, o país finalmente compreendeu sua angústia. Foram milhares de pedidos de desculpas nas redes sociais, elogios na TV e até músicas para marcar a volta por cima. 

“Aprendi milhões de coisas depois daquele dia e nos anos que se seguiram. Quando algo dá errado em sua vida, você não termina. É preciso se tornar mais corajoso, sabendo que você tem de fazer as coisas e não se arrepender por não tentar ser tão bom quanto você pode ser”, disse o treinador. 

Por isso, o ex-técnico da seleção sub-21, que herdou a vaga no time principal quando Sam Allardyce foi afastado pelo envolvimento em um esquema que burlava regras de transferências no país, está mais forte para tentar uma vaga entre os semifinalistas, algo que a Inglaterra não consegue desde 1990. Diante da Colômbia, o time conseguiu superar os fracassos em três disputas de pênaltis em Mundiais (1990, 1998 e 2006). Embora tenha tido uma carreira mediana como jogador e treinador, Southgate superou o estigma de perdedor. 

 

“Queremos fazer nossa própria história. A primeira vitória em mata-mata em anos, a primeira vitória em disputa de pênaltis em um Mundial, artilharia. Desde 1990 não chegamos a uma semifinal e temos ambições”, afirmou o treinador. 

Outro fator que fez o comandante subir no conceito dos torcedores foi montar um time mais “malandro”, como classificou o jornal The Times após a última vitória. Embora sempre critiquem Neymar por eventuais simulações, os ingleses agiram da mesma forma diante da Colômbia. Até fizeram cera, algo incomum na tradição inglesa. “Acho que ficamos mais espertos”, disse o técnico. 

 

O grande aliado do treinador é o atacante Harry Kane, artilheiro da Copa com seis gols e candidato a destaque do Mundial. Os dois, treinador e goleador, mostraram entrosamento e simpatia na entrevista coletiva de ontem. Parecem amigos.

A Inglaterra é a mais jovem entre as seleções na luta pelo título, com média de 25 anos – Kane tem 24. Esse também era um motivo de desconfiança dos ingleses. “Talvez não tenhamos tanta sorte com lesões e essa oportunidade de novo.” 

OSSO DURO

Embora reconheça certo favoritismo inglês, o técnico Janne Andersson mostrou confiança na Suécia. Para o treinador, não há problema se consideram a equipe sueca defensiva e previsível. “Nós dizemos que nosso time é fácil de analisar, mas difícil de vencer”, afirmou, em Samara. “Essa é uma boa definição. Agora, levam a Suécia a sério. Os jogadores são muito leais ao nosso sistema e me deixam orgulhoso”, continuou o treinador, que recolocou os suecos nas quartas de final de uma Copa pela primeira vez desde 1994.

 

 

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