Violência chama atenção desde 1964

O comportamento desajustado de torcidas já era criticado pelo L?Osservatore della Domenica, o semanário do Vaticano, há mais de 40 anos. A preocupação era com aquelas que ?levavam o futebol demasiado a sério?. Dias antes, Renato Dall?Ara, então presidente do campeão Bologna, morrera de enfarte por causa da emoção pela conquista do scudetto de 1964. Nada se compara com as atrocidades que se repetem na atualidade. Um dos casos que mais marcaram época foi o do corintiano Rodrigo de Gásperi, de 13 anos, que morreu, em 1992, na semifinal da Taça São Paulo de Juniores, no jogo contra o São Paulo. O garoto foi atingido por uma bomba de fabricação caseira na arquibancada do Estádio do Nacional.No mesmo ano, o palmeirense Sergio Vivaldini foi esfaqueado próximo à sede da torcida organizada Mancha Verde. Ele e alguns amigos iam para a estação Barra Funda do metrô, quando brigaram com torcedores do São Paulo, que pretendiam assistir ao jogo de sua equipe contra o Santos pela Supercopa da Libertadores, no Estádio Palestra Itália.A violência não se restringe aos clássicos. Em 1994, no Estádio Brinco de Ouro, do Guarani, em Campinas, o corintiano Sergio Francischini morreu pisoteado. Outros 30 torcedores ficaram feridos e 18, internados.Ainda em 1994, Manoel Damião Garcia foi comprar ingressos para o jogo entre São Paulo e Palmeiras na sede da Mancha Verde, com a camisa são-paulina por debaixo do casaco. Descoberto, foi agredido, assim como seu primo, Rosivaldo Barros, que era palmeirense. Os dois foram mantidos em cárcere privado dentro da sede. Foram ameaçados com revólveres, espancados com barras de ferro por 17 rapazes, dois deles menores, e uma garota.A maior briga - A decisão da Supercopa de Juniores, em agosto de 1995, no Pacaembu, entre São Paulo e Palmeiras, foi manchada por uma das maiores brigas já registradas no tradicional estádio. Grande parte dos 6,5 mil torcedores que compareceu ao jogo se enfrentou dentro do gramado. Saldo: mais de 100 feridos e a morte de Márcio Gasparin da Silva, de 16 anos. Ano passado, o corintiano Marcos Daniel morreu após ser espancado por palmeirenses próximo ao metrô Barra Funda.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2005 | 20h33

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