Célio Messias - 04/11/2012
Célio Messias - 04/11/2012

Violência cresce e clubes ficam no prejuízo

Atos de vandalismo das torcidas organizadas levam o STJD a punir os times com perda de mandos de campo e multas de até R$ 100 mil

Sílvio Barsetti e Leonardo Maia,

27 de outubro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - O São Paulo foi o último clube a sofrer com o mau comportamento de sua torcida, punido na sexta-feira com a perda de quatro mandos de campo por conflito entre seus torcedores e a polícia. Trata-se apenas de mais um episódio de um problema que parecia superado no futebol brasileiro e retornou com força nos últimos dois anos. A violência de organizadas nas arquibancadas.Em 2012, foram 52 denúncias no Artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), contra 23 clubes das Séries A e B. Nesta temporada, 29 casos chegaram ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), com 21 clubes acusados nas duas principais divisões do País.

Não estão computados os processos da última semana, aos quais ainda cabe recurso – foram punidos Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR e Corinthians, além do São Paulo.As torcidas campeãs da desordem em 2012 e 2013 são a do Goiás e a do Palmeiras. Esmeraldinos e alviverdes prejudicaram seus times em seis ocasiões, seja com pagamento de multa ou com o impedimento de usar o seu estádio.O Artigo 213 diz respeito a distúrbios nos estádios, como brigas de torcida, invasão de gramado e objetos arremessados em campo. Prevê a responsabilidade do clube mandante, como organizador do evento, e do visitante, se ficar comprovada a iniciativa de seus torcedores.

“Atribuo a vândalos (esse comportamento da torcida), que se infiltram para prejudicar o clube. Não é o torcedor tradicional que faz isso”, comenta João Bosco, presidente do Goiás.A diretoria do clube se cansou de tantas punições. Segundo Bosco, após reuniões com órgãos estaduais, governo e federação goianos, o Serra Dourada passará a contar com um juizado especial criminal (Jecrim), a partir de hoje, como forma de identificar e punir mais rapidamente os vândalos. Além de dobrar o efetivo de PMs.

A questão é complexa. Para o presidente do STJD, Flavio Zveiter, ela envolve o problema das torcidas organizadas, a irresponsabilidade de dirigentes que criticam as punições e defendem os baderneiros e a ineficiência dos órgãos que deveriam aplicar as sanções previstas no Estatuto do Torcedor. 

“O Estatuto é uma ferramenta importante, que nos dá várias formas de punir clubes e torcedores. No entanto, a gente não vê a aplicação na prática”, diz Zveiter.Na visão do advogado, falta unidade nas ações das partes envolvidas. Zveiter julga crucial que dirigentes, federações, promotores e governos se unam para estabelecer uma norma.“Gostaria de ver o Ministério do Esporte conduzindo esse processo. Não é atribuição do STJD, mas, como não o fizeram, acho que precisamos iniciar esse movimento”, cobra o presidente do tribunaL, revelando que vai se reunir em 12 de novembro com membros do Conselho Nacional do Ministério Público. O objetivo é trocar ideias para um plano unificado de ação dos Ministérios Públicos estaduais.

“Cada MP toma um rumo diferente no combate a esse tipo de violência e não se chega a lugar nenhum. O MP de São Paulo tenta extinguir a Gaviões da Fiel e não vai conseguir isso nunca”, critica Zveiter. Um ponto de partida poderia ser o formato adotado no Rio, na opinião do presidente do STJD, com a implantação de um Jecrim no estádio e a formação de policiais especializados. No Rio existe o Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios), que poderia ser levado para outros estados.

O regulamento de competições da CBF também é restritivo. Prevê apenas que aqueles punidos com perda de mando joguem a 100 km de sua sede. “Isso é pouco punitivo. O torcedor tem de sentir que seu comportamento realmente prejudica o clube. Precisamos ter outras penas, como portões fechados, inversão de mando ou jogo com apenas a torcida visitante”, destaca Zveiter.

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