Imagem Mauro Cezar Pereira
Colunista
Mauro Cezar Pereira
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Violência humana

Somos uma sociedade violenta. O futebol apenas faz parte dela

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2017 | 03h00

O estádio de Itaquera, é “padrão Fifa”. E foi lá que corintianos e Polícia Militar se enfrentaram algumas vezes. Também no palco da abertura da Copa, “hinchas” da Universidad de Chile brigaram com a PM no jogo pela Copa Sul-americana, em abril. O Maracanã recebeu a decisão em 2014 e teve confronto entre torcedores do Corinthians e policiais em outubro, antes de jogo com o Flamengo. O Beira-Rio, outro erguido para a Copa, também não contém a ira de colorados com a má fase do Internacional.

A mais cara “arena” do Mundial fica em Brasília. Lá, pelas cadeiras e corredores do Mané Garrincha, já ocorreram pancadarias, como num Vasco x Corinthians em 2013 e Flamengo x Palmeiras de 2016, quando o gás de pimenta se espalhou pelo ar. Em abril, rubro-negros e tricolores transformaram os arredores da Fonte Nova em praça de guerra antes de um Ba-Vi. Há 13 meses, a polícia bateu em palmeirenses no Mineirão, onde, em abril, organizadas do Cruzeiro brigaram entre si. Duas outras “arenas” da Copa do Mundo.

Torcedores ingleses, russos, ucranianos, turcos e croatas protagonizaram brigas em meio à Euro de 2016. Elas ocorreram nos remodelados ou novos estádios da França, então sede do torneio de seleções do “Velho Mundo”. 

Modernos, eles podem ser confortáveis e seguros sob determinados aspectos, com locais adequados para ver a partida e a inexistência de superlotação, comuns no passado. Mas quando seres humanos querem se enfrentar, evidentemente isso não basta.

Os exemplos recentes citados, todos dentro ou ao redor de modernas arenas, mostram que elas também são vulneráveis à agressividade humana. O problema não é estrutura velha ou nova. E no País que é líder mundial do ranking de homicídios, pior. 

Pela teoria do filósofo inglês Thomas Hobbes, o homem já nasce mau. Generalização? Provavelmente. Mas é inegável, a violência faz parte de nossa rotina? Seria ingenuidade imaginar o futebol livre dela. O problema, complexo, não se revolve na canetada.

A batalha de sábado em São Januário não foi briga de torcidas de diferentes clubes. Eram vascaínos contra vascaínos em arquibancadas que há pelo menos um ano viram barril de pólvora cada vez mais explosivo com a política dividindo o clube. Opositores de Eurico Miranda querem vê-lo fora do Vasco e os defensores do presidente os enfrentam. Com a derrota para o rival, cruzmaltinos brigaram entre si e com a polícia. O tumulto se estendeu pelas ruas que cercam o antigo estádio.

Não houve confronto com torcedores do Flamengo, que só foram embora mais de duas horas após o apito final. Foi a mais violenta batalha em jogo de futebol dos últimos tempos. Mais um exemplo do quão falsa é a sensação de segurança gerada pela torcida única.

Somos uma sociedade violenta. O futebol apenas faz parte dela.

COMO UM RELÓGIO

Corinthians firme e preciso

Uma aparente dificuldade inicial com a Ponte Preta tentando agredir, seguida pelo controle do jogo. Então, um gol no fim do primeiro tempo e outro no início do segundo. Foi assim que os corintianos venceram a décima partida em 12 do Campeonato Brasileiro. Time preciso como um bom relógio. Rivais torcem para que a bateria acabe. Será? 

QUE DESVANTAGEM!

Palmeiras jogará pela honra?

Os 3 a 1, levando mais gols do Cruzeiro (dois) no primeiro tempo — foram três 11 dias antes —, deixaram o campeão brasileiro a 13 pontos do líder, adversário desta quarta-feira, no Allianz. Tão atrás do Corinthians, mas vivo na Libertadores e Copa do Brasil, o Palmeiras pode vencer mais para atrapalhar o rival do que se ajudar.

Tudo o que sabemos sobre:
futebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.