Virada de mesa tira o sono de Mustafá

O presidente Mustafá Contursi deixou o salão nobre do Palestra Itália, no início da madrugada de hoje, feliz com a boa vitória nas urnas sobre o opositor Luiz Gonzaga Belluzzo - 177 votos a 75, além de 13 nulos -, mas, ao mesmo tempo, preocupado. Seu sexto mandato será, seguramente, o mais complicado, por ter perdido o pouco do prestígio que tinha com a torcida e pela pressão que vai sofrer da oposição, pela primeira vez em seu reinado. "Espero que os torcedores apóiem", limtou-se a dizer. Sabe que terá um árduo trabalho daqui para a frente, que a fase do clube não é das melhores e, por isso, evitou comemorações após o resultado das eleições. Dormiu pouco à noite e, pela manhã, deu uma rápida passada no clube antes de sair para resolver problemas particulares. Terá pouco tempo para acertar o time, que apresenta muitas carências, e para trabalhar nos bastidores a fim de tirar o Palmeiras da Série B do Campeonato Brasileiro ainda em 2003. A virada de mesa é, a partir de agora, uma das metas do dirigente, até porque conta com o apoio da maioria dos conselheiros. Mustafá justifica com três fatos anteriores seu pensamento de pleitear um lugar na Primeira Divisão. Em sua opinião, já houve uma virada de mesa quando foi descartado o sistema de média de pontos para rebaixamento, implantado na segunda metade da década de 90. Por aquele regulamento, os quatro piores times na média de pontos dos três últimos campeonatos cairiam para a Série B. A fórmula foi jogada fora sem explicações. A segunda ocorrência que lembrou foi a criação da Copa João Havelange, em 2000, na qual foram incluídos Fluminense e Bahia, que não estavam na Série A. E a terceira "virada de mesa" foi a desistência do Clube dos 13 de se chegar a 20 participantes no Brasileiro, ao contrário do que havia sido combinado. As próximas edições da competição nacional terão 24 times e esse número não será reduzido, porque apenas dois descerão e outros dois da Série B serão promovidos. "A mesa já foi virada, vamos fazer tudo o que for possível para o colocar o Palmeiras no lugar em que merece estar", declarou o dirigente, que garante ainda não ter sido informado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de que o lugar de sua equipe será na Segunda Divisão. Os conselheiros apóiam sem nenhum vacilo a virada de mesa e não fizeram questão de tornar o pensamento público. Em conversa com os repórteres, na noite de segunda-feira, no Palestra Itália, insistiram na argumentação de que não se trata de uma virada de mesa, mas de um "ajuste de mesa". O Palmeiras terá o apoio do Botafogo, embora o presidente eleito, Bebeto de Freitas, diga ser contrário a qualquer mudança fora de campo e do Gama. Belluzzo e a maioria de seus correligionários, no entanto, sempre se mostraram contrários a essa idéia e, por isso, podem ter perdido alguns votos. "Querer virar a mesa é sinal de fraqueza", argumentou. O economista assegurou que fará dura oposição à atual diretoria e que no próximo pleito, daqui a dois anos, pode voltar a se candidatar. "Vamos fazer oposição de reivindicação, mas não com o intuito de tumultuar o ambiente", declarou. "Esperamos que o Palmeiras se transforme, que a administração seja diferente, porque, caso contrário, ficaremos inferiorizados em relação a outros clubes. Além de Mustafá, a situação elegeu os quatro vice-presidentes, que já faziam parte da atual gestão, Luiz Pagnota, José Cyrillo Júnior, Affonso Della Monica Neto e Luiz Augusto de Mello Belluzzo.

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